segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Aterrorizando


ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas. Shows pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos- telúricos como bizarros artefatos alienígenas espalhados em Parques Nacionais. Arrombe casas mas, ao invés de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas. Rapte alguém e faça-o feliz. Escolha alguém aleatoriamente e convença-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilômetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaí, ou uma coleção de manuscritos alquímicos. Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, & talvez, como resultado, seja levado a buscar uma forma mais intensa de viver.

Pregue placas comemorativas de latão em locais (públicos ou privados) onde experimentaste uma revelação ou tiveste uma experiência sexual particularmente especial, etc.

Ande nu por aí.

[-Capítulo de "Caos, os Panfletos do Anarquismo Ontológico" (parte um de "Z. A. T."),de Hakim Bey]




Hora dessas eu falava sobre a loucura, ou a não-loucura, e na verdade classificando qualquer tipo de vivência que o fizesse bem como permissão. Porque é só isso que falta para vocês, meus caros: PERMITIR-SE MAIS!
O meu muito obrigada aos que me aterrorizaram e causaram um choque estético - e as vezes interior -, diariamente; 2012 vem aí permitindo que aterrorizemos o mundo com a nossa poesia.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

só pra dizer que eu acredito em Papai Noel


Final de ano, além do imperativo consumista, vem toda essa parafernália de encontro familiar, champagne e ajuntamentos parentais. Afora o estresse que é, até que estejamos todos prontos e enfeitados, como árvores de natal fazendo jus a festividade, esse monte de sorrisos que afloram nessa época é bom.

Seja o Papai Noel um símbolo norte-americano ou não, ele brota uma cambada de coisas boas por aí(desejo, sonho, vontade, saudade, etc e tal).... tem criança, vovó e até mal-humorado que abana pro velhinho vestido com as cores da coca-cola(qualquer coincidência não é pouca bobagem!). E é nisso que eu acredito, no sorriso!

Não me importa nem um pouco se espírito natalino é carregado da hipocrisia do chefe que já não aguenta mais os funcionários, se vem com a saudação da vizinha que passou o ano inteiro falando mal de você, da prima que não lembrou nem do seu aniversário.... mas ele vem, entende? Ainda bem que existe uma época do ano, mais ou menos religiosa, que movimentamos muito além da economia global e vamos para casa da titia ver como as crianças cresceram e aquele primo feio tá até ajeitadinho.

Esperar por barbies bailarinas, celulares modernosos, ou só pelo abraço da meia-noite (que vai proporcionar as pazes com o seu tio, que vc brigou desde o último fim de ano); é por essa magia toda que eu entro no clima mesmo. Consumindo mais alegria do estar(junto), que dinheiro.


Essa coisa de "espírito natalino" ou o avesso, é só mais um jeito de conquistar o consumo, lembrando que você ama a vovó e o perfume preferido dela custa 300,00 reais, mas vê-la sorrindo vale tudo isso! Que o vestido que a mamãe viu na vitrine é muito caro, mas será só uma retribuição de tudo que ela fez por você.
Atentemos ao que queremos sentir, não o que queiram que sintamos. O consumir, ou não, não é o problema.... mas não pode ser reduzido a isso!

Espírito natalino é ver o encantamento com o Papai Noel, a guirlanda o pisca-pisca.
Aguardo, ansiosamente, pela meia-noite.


NA FOTO: Projeto "Seja um Papai Noel", pericpécias da Clasen (com espírito natalino) para se aproximar do encantamento com o velhinho!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Eu vi gnomos, e outras estrelas


Depois de viver sob as nuvens da Paulicéia, do cinza que cobre São Paulo.
Depois de respirar o que se respira em São Paulo.

Estar em Pelotas é mais puro. E na praia, qualquer grão de areia é ainda mais lindo.Hoje notei que Pelotas, mesmo que não seja uma metrópole, esconde muito estrela.Ainda há muito mais para ser visto. Tem nuvem aqui e acolá que apagam uns brilhos, mesmo com a noite limpa.
Eu enxerguei novas luzes estelares hoje, precisei que os gnomos me mostrassem.

Pesquisei mapas, constelações.Lá em cima do telhado, eu e eles[os gnomos]. Mais próximos do próximo plano. O que nos guia, ou o que guiamos - quando saberemos quem está no comando?
Mas, lá em cima do telhado, hesitar sobre quem está comandando parece só mais um questionamento para dentro de mim mesma.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

silêncio lá dentro, Kundera escrevendo.

“Num passado remoto, o homem deve ter ouvido com assombro o som de batidas que vinham do fundo de seu peito, sem conseguir saber o que era aquilo. Não podia identificar-se com um corpo, essa coisa tão estranha e desconhecida. O corpo era uma gaiola, e dentro dela, dissimulada, estava uma coisa qualquer que olhava, escutava, tinha medo, pensava e espantava-se; essa coisa qualquer, essa sobra que subsistia, deduzido o corpo, era a alma.Hoje, é claro, o corpo deixou de ser um mistério; sabemos que o que bate no peito é o coração, que o nariz nada mais é do que a extremidade de um cano que avança para levar oxigênio aos pulmões. O rosto nada mais é que o painel onde terminam todos os mecanismos físicos: a digestão, a visão, a respiração, a audição e a reflexão.Depois que o homem aprendeu a dar nome a todas as partes de seu corpo, este o inquieta menos (…).A dualidade da alma e do corpo estava dissimulada por termos científicos, isso é, hoje, um preconceito fora de moda, que só nos faz rir.Não basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científica, imediatamente se desfaça.”


Trecho de "A insustentável leveza do ser".

Faz silêncio dentro de mim. Tem grito, tem gargalhada. Tem música. Silêncio grita. "Por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior"

Pele permeável, molhou por dentro também

Eu já tinha notado que ia chover. O abafado e os trovões já avisavam o temporal.
Minha vó nunca erra: "Vai chover, leva guarda-chuva!", "Pega um táxi", "Liga para ir te buscar"...........Eu escolhi um chinelo, para não encharcar o sapato. Um blusa larga, para não colar no corpo. Um short para não pesar as pernas. Eu tinha saúde. Decidi tomar banho de chuva antes mesmo dela começar. Chuva já tinha sido terapia há algum tempo, e eu precisava de uma dessa.A amiga deixou os afazeres porque ia chover, eu ainda tinha muito que resolver. Lá vou eu, só esperava ela cair.Já era tempo de voltar pra casa e nada dela, parei para tomar um café e esperar. BRURURUM! Lá vem!!!!!Paguei o café e tomei o caminho de casa. Os primeiros gotejos foram daqueles fortes que machucam a gente, já no início os sentimentos que machucavam apareceram tb. Eu pensava porque eles me atingiam forte desse jeito, em qualquer lugar. Será que eu devia ter usado guarda-chuva? Não, melhor molhar logo.O corpo já estava quase cheio dos pingos, quando ela apertou. Daquelas fortes que não deixam nem escutar as sirenes da rua. Eu não escutava mais ninguém também. Só a mim mesma. Eu me dizia que tinha que seguir em frente, que tinha muito pingo ainda para cair e se a gente corre pra fugir, se molha mais. Caminha, quieta,molhada e escutando as lições que tinha para (me) dar.

Agora muito molhada. Por dentro e por fora tudo era chuva. Chuva da cabeça aos pés, do céu ao chão. Tudo era chuva. Chovia contradição, questionamento e esclarecimento.Acalmava a tempestade e o espírito. Esclarecia então o que passara: era nuvem passageira. Tudo passara para me molhar, me deixar encarar sem guarda-chuva e aprender.A brisa posterior cuidou de me secar e quase chegando em casa o entardecer mostrou uma composição de laranja quase rosa, ou vice-versa.Molhada, com sorriso na cara porque tinha um céu que sorria. Era assim que eu andava nos últimos dias: com ´pingos críticos de todos os lados, mas tinha um céu que se preparava todo dia para mim. E era para, e por, ele que eu sorria.

da série: Cenas Cotidianas / PROTEGIDOS


Os trovões vibravam no céu. As nuvem cuidavam de enegrecer cada pedacinho de azul lá em cima.
A brisa que refrescava o forno primaveril, do quase verão dezembrino, avisava quase suavemente: aí vem a tormenta!

Algumas pessoas corriam, para proteger-se em casa. Quentinhos, aconchegados.
Outros arrastavam seus pedaços de papelão para proteções que iam de áreas residenciais a toldos comerciais.Os carros pareciam estar mais apressados. Os pedestres andavam, impacientemente.

CABRUM!!!! Os guard-chuvas são abertos. Num piscar de olhos eles estão todos protegidos. Menos eu.
Moradores de rua protegendo os cobertores, as loirinhas a chapinha.Moradores das casas fechando as janelas, motoristas de carros repetiam o gesto.Tudo uma proteção, da chuva, do frio. Eu não tinha nada a proteger.Protegiam-se da miséria da calçada, da sujeira que entupia boeiros.
Protegiam-se do desespero alheio, do caos do transporte público dentro do ar condicionado de seus automóveis.

Parece que na chuva as coisas ficam mais evidentes, junto com a água corrente na guia da calçada.
Parece que chuva fica mais exposta a diferença. Eles se protegem com guarda-chuvas de descaso.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Entretenimento Encomendado

Nas escolas, nas páginas virtuais ou nos canais televisivos; a industrialização tornou educação e mundo virtual um só. Há entretenimento e educação, uns mais que os outros; em alguns fica mais evidente que se utilizam para “ensinar brincando” e os que não ensinam e contém mensagens subliminares das mais variadas, tornando o espectador não mais que um objeto de desejo que faz parte de idéias fixas e programadas.

A cultura de massa é a mais evidente, mas não pode ser a única proposta na sala de aula - e em qualquer outra instituição (de ensino, ou não). Porém, os “sinais” mais atraentes [componentes dessa cultura] quase sempre são aos que não possuem fins educativos. A diferença está, muitas vezes, na abordagem do intelecto da criança enquanto espectadora, espectador enquanto aprendiz.

A produção “encomendada”, no campo das artes plásticas, música, etc. já acontecia há muito, mas é a com a “globalização” que ela se torna mais evidente. Globalização de idéias, produção, massificação do ser. Os desejos. Os medos, a felicidade, a alegria; produtos comprados em qualquer esquina. Cria-atividade, a atividade de criar é o produto menos adquirido na loja mais próxima de você.

Muitas vezes por medo, ou por não saber como fazer a abordagem, o programa de televisão, o filme, o vídeo-clipe, tornam-se inimigo do educador. Pois analisado superficialmente, o conteúdo exposto, torna-se só mais um dentre outros tantos oferecidos pelos meios de comunicação, e a absorção será superficial, quiçá subliminar.

A mensagens estão por trás, notada só pelo inconsciente e se não trabalhado com cuidado o objetivo proposto, só o que, geralmente, não importa será apreendido.

Quando as ferramentas audiovisuais e os avanços tecnológicos deixam de ser vistos apenas como material de apoio às aulas e ainda é negada essa inserção direta enquanto meio de comunicação, o aprendizado, que não precisa excluir o entretenimento, acaba ficando em segundo plano; tendo em vista a falta de preparação do professor para a utilização e aplicação do conteúdo enquanto conhecimento.

da série: Cenas Cotidianas


Crianças sempre bagunçam muito o sensível, olhares sempre penetram muito em mim.
Lá vai....

"Era um caminho muito engraçado, não tinha livro, não tinha nada.
Ouvir música não podia não, por funk vibrava no fundão."

E aí eu volto àquele estado de espírito que vcs já conhecem, meio cético, de ficar longe de tudo. Olhando as coisas de fora, ficando em outro plano e vendo tudo sob a moldura escolhida.
O personagem principal desta vez era uma criança, um menininho, de mais ou menos 7 anos. Tinha o léxico meio chulo, mas mostrava a mãe a cidade com a imaginação pueril que eu mais invejei na minha vida.
"Mãe, aquele carro poder ser da gente né? O pai trabalha trabalha, tu trabalha e eu estudo um monti, ti prometu"
"Mãe, olha ali. Olha! Olha! É mais bonita que a Gabriele da 1ª B!!!!!! Será que ela me namorava?"

O ônibus seguia o itinerário quase como uma canção barroca: por vezes apressava, mas logo acalmava de novo. Será que tinha trânsito em Pelotas? Não era nisso que eu pensava, era no meu personagem.
O ônibus parou no farol e ele: "MANHÊ, OLHA É O PAI!!!!!!!!" A mãe olha, meio descrente, "Ah!" (...) "põe a cara pra fora, grita pra ele, guri!!!" Ele executa a ordem quase que instantaneamente: "AÊ PAIÊÊ"
Estiquei um pouco os olhos pra poder enquadrar melhor o pai. Ele estava sentado no bar, num buteco. Só deu tempo de acenar pro filho e o ônibus acelerou de novo.
Agora, com o tom de voz um pouco mais baixo, ele dizia:"Mãe, porque o pai já não vai co a gente? Ele já parou de trabalhar." Ela olhou desanimada e disse: "Ele já vai, filho."

O olhar ficou distante. Os dois olhavam o infinito como se estivessem olhando um filme de ação, sem piscar. Atrás deles tinha os meus olhos, que agora acompanhavam o infinito junto com eles.

Rafael Pagatini; “A insustentável leveza da gravura”



As vezes com mais de um metro, outras com pouco mais de dez centímetros. Não existe tamanho padrão, o que padroniza a exposição de Rafael Pagatini é a minuciosidade. A xilogravura feita com o papel que é encontrado longe e a paciência e cuidado que vem de perto, de dentro do artista.

As gravuras trazem casas de ruas da sua cidade natal, que foram demolidas em prol de construções mais “lucrativas”, algumas com neblinas, noite escura, ou névoas, “Brumas (de Saudade)". Há ainda aquelas que, agora denominada “Interiores", procuram o olhar dos personagens, e retrata-os fiel e melancolicamente.São inúmeras, e quase incomensuráveis linhas, que formam cenas tranqüilas e distantes do plano do espectador.

Um sistema dentro do sistema, a necessidade ainda não há.


Como se nos guiássemos primeiro por nós mesmos, depois pelas leis universais. A educação tem reagido desta forma diante das evoluções humanas. Mas diferentemente de como acontecia em séculos passados, em que a instituição de ensino era um privilégio dos “escolhidos” para a luz(conhecimento) , atualmente, a luz ilumina a todos, mas mesmo assim ainda não basta. Há primeiro a sociedade, depois a educação(ou a política, o dinheiro, a hipocrisia...depois a educação). Com essa ordem, a educação acaba sendo fruto de necessidades propostas por uma sociedade que, lembremos, se coloca antes da educação. A sociedade em primeiro lugar, antes de qualquer coisa, acarreta na construção de valores baseados na, quase, ignorância(se considerarmos a educação como uma ciência, descartando-a enquanto vivência).

Também de forma diferente de séculos passados, e ainda nessa linha da necessidade posta a frente, o conhecimento passou a ser adquirido cada vez mais especificamente. Antes estudava-se engenharia ou artes(ainda sem considerar as modalidades bacharelado e licenciatura) ; hoje você estuda engenharia ambiental, madeireira, elétrica, civil, entre tantas outras; o mesmo acontece nas artes, antes você, enquanto artista, era doutrinado a esculpir, moldar, pintar, talhar, no ensino atual os aprofundamentos ocorrem depois da graduação, em mestrados e doutorados.

Partindo dessa ramificação do ensino vem logo o questionamento: Por quê ainda não temos aula obrigatórias de educação biocêntrica, teatro ou dança? A resposta vem quase que imediatamente, porque a sociedade capitalista ainda não precisa conviver com o sensível do ser humano, ser racional está a frente e é essa a necessidade, evidenciada, a ser suprida.

Existe uma linha, muito tênue, entre fazer o que queremos e querer o que fazemos; o sistema instiga você(mas só até onde quer) a buscar uma profissionalização, a fazer parte da massa, você quer se sentir parte desse todo, dessa máquina moderna, você é ensinado a pensar globalmente e atender as necessidades universais – cientifica, exata e biologicamente. Pensar o espaço e o tempo de forma subversiva, valorizar a educação enquanto consciência do “ser/estar”, questionar, apreender e compreender, o espectador aprendiz da educação não faz o que quer, quer o que faz.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

no infinito, ou no além


Uma vez que as metanarrativas foram abandonadas na pós-modernidade e o homem enfrenta questões globais e eternas nesta “aldeia global”, onde o que era estranho se tornou vizinho, o tempo e as distâncias têm nova dimensão, indaga-se: onde buscar a mínima coerência para levar adiante o projeto humano?
Na alma. Eu sigo insistindo: existe muito além desse plano, existe muito mais sensibilidade. É metafísico.
Antes de mais nada, é mais coração. É menos matéria, é cósmico.

As respostas estão sempre dentro, as perguntas é que vem de fora. "Porque vc me ama?"; "Porque estás aqui?" ....


domingo, 20 de novembro de 2011

só mais uma contradição

A irritação me inspira. É um segredo meu, mas eu sou mais irritada do que parece. E é so uma questão de educação e respeito eu não deixar que todos vejam, mas eu passo a maior parte do tempo me irritando com as pessoas. A irritação me deixa mais racional. A irritação não é escolha, a esolha é relevar esse estado de espírito e ser ranzinza; então não é ruim(pq eu não relevo e só sou ranzinza por vezes!).

E foi num desses momentos "racionais" que, frente a uma doçura sem tamanho eu pensei: quem foi que disse que a vida tem que ser doce? (tá, caio fernando abreu. mas questionemos!)

Eu não to falando de sorrir e ser alegre, me refiro ao conformismo.

É, eu noto conformismo por aí. Sabe o tal "aceitar o que tá rolando", o "deixa a vida me levar", "não era pra ser"? Não acredito nessa doçura, acredito na doçura racional. Naquela em que nós, arbitros de nós mesmos, podemos ser desse jeito que pensamos. Sem ferir o outro, é claro, mas sem ferir a nós primeiro. Sejamos doces enquanto coadjuvantes de escolhas alheias, não nas nossas.
Eu pensava nisso sempre que eu me via numa situação para agradar o outro. Sempre que eu via outra pessoa fazendo algo, transparentemente, só para me agradar.
Aí eu pensava na sinceridade, na gentileza e, de novo, no conformismo. Nessa quietudade quase submissa que me irritava tanto, mas era a mesma que não me deixava mostrar a irritação interna.
Contradições humanas e mundanas, o mistério: ser doce ou não, eis a irritação.

sábado, 19 de novembro de 2011

Seria tudo meu

É sempre o "e se...". Se acabasse amanhã. Ou ainda, se acabasse agora.
Certamente, se acabasse agora essa saga do plano terreno, eu teria aprendido que viver é diferente de existir. Que a minha vida pode ser muito mais interessante se ela for minha, e os outros são os outros e só. O sentir deixa de lado toda a parafernália dos princípios, quase vagos, e cria outra dimensão quando é seu de verdade. Quando você entende que existe sim um livre arbítrio, e ele é totalmente seu, as escolhas passam a ter outro sentido; elas deixam de ser escolhas alheias e passam a ser as suas escolhas.
As minhas vontades, as minhas escolhas, os meus desencontros, as minhas risadas, as minhas lágrimas, os meus desatinos, as minhas unhas azuis, os meus silêncios. Tudo isso foi muito mais meu quando foi só meu. Eu não queria fazer nenhum tipo de comunhão com o que era meu e, assim, dessa forma quase egoísta, eu teria deixado a minha vida mas ainda teria a minha alma.

domingo, 6 de novembro de 2011

A vitrine é um relógio


Parecia que as estações mudavam de três em três semanas.
Flores haviam nascido e pétalas já estavam no chão do jardim,
a primavera já tinha iniciado e boa parte já tinha ido embora.
O verão parecia estar chegando,
não fosse pelos braços de fora eu não o notaria.

Notaria sim. As vitrines já estavam iluminadas, todas em vermelho e verde.
Ho Ho Ho; o ANO PASSOU.
Logo logo elas já estão cheias de confetes e serpentinas, um sexto de ano já foi embora. Coelhinhos e chocolates, dois terços de ano resta agora. Frio, frio; nas vitrines cachecóis e cobertores, fondue com morango e amora. A primeira flor apareceu, tem primavera: calor e aurora. Ho Ho Ho; o ANO PASSOU.


Foto:Navidad já anunciada em Montevideo, primavera 2011.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

UPP – Unidade da Polícia Pacifi... panificadora???





Isso não é nenhuma opinião politizada, embasada em grandes estudos sobre ou uma tentativa de opinião formada. É, quase, somente um palpite.

Uma das notícias do Jornal Nacional hoje era a instalação de uma nova UPP. Agora no Morro da Mangueira, e assim era formado um “cinturão de UPPs” em torno do Maracanã. Agora sim, com isso, a Copa do Mudo estaria segura. 2014 já tinha um problema a menos; o Maracanã, um ícone do futebol brasileiro, estava rodeado por “meridianos” da paz. As linhas imaginárias que deixariam multidões turistas seguras(e os anfitriões?).

2000e14, quase a justificativa – ou melhor, o motivo – para a instalação de 18 unidades policiais em comunidades que estavam em torno do estádio de futebol. Um bom negócio né?
O evento esportivo mais prestigiado do mundo, promove e movimenta todos setores econômicos. Direta ou indiretamente, até as panificadoras tem de aumentar a produção de pãezinhos para recebê-lo. Quase imperativamente: Todos devem estar preparados! .
E agora tem mais essa, as pacificadoras tb.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tabacaria. da série: Cenas Cotidianas

Hoje a tarde, na lanchonete com uma amiga, enquanto conversávamos eu perdi meu olhar.
Por cima do ombro dela, lá no fundo, uma menina sentada sozinha. Sozinha não; estava acompanhada de um copo de suco de alguma coisa cor-de-rosa, quase roxa, e um prato de batatas fritas. Batatas fritas com cheddar. Muito cheddar.

Depois que meus olhos encontraram eles três lá no fundo; ela, o copo gigante e a quantidade louca de batatas e cheddar, eu não conseguia prestar atenção em mais nada.
Meus olhos já tinham tudo: o foco de luz, a cena, a personagem. E o monte de batatas fritas. A angústia da cena. Eu já tinha até trilha sonora. Algo como um barroco bem forte, que traria momentos de lucidez e desespero; entre ela, o comer, o devorar, ou o sair.

Era aquilo: "milhões do mundo que ninguém sabia quem era (e se soubessem, o que saberiam?)"

Ela era meio despenteada e tinha cara de desespero. Não sei se o desespero vinha de acabar logo a montanha de batatas(com cheddar), ou nem começar.
Entre os goles do suco cor-de-rosa, quase roxo, ela hesitava: devorar logo, ou levantar e seguir a vida.

E eu, alheia aquele desespero, só conseguia pensar no Fernando Pessoa:
"Come chocolates, pequena;
come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo que não chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!"


Para minha decepção, ou felicidade, ela comeu apenas três batatas. Amarelou. Uns goles de suco ajudaram a engolir a gula, e ela abandonou a Montanha(de batatas, e muito cheddar) ali em cima da mesa. Foi-se embora quase como heroína. Uma heroína despenteada que abandonara o desejo, sem o saciar.
E eu, seguia pensando no Pessoa: "Sempre o impossivel tão estúpido como o real / Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono do mistério da superfície / Sempre isto ou sempre outra coisa, ou nem uma coisa nem outra."

segunda-feira, 17 de outubro de 2011



"deixe em paz meu coração,
que ele é um pote
até aqui de mágoa.
e qualquer desatenção,
faça não,
pode ser a gota d'água..."




GOTA D'ÁGUA. BUARQUE, Chico.

do Capítulo "As ruínas círculares", Ficções.-Jorge Luis Borges

"O propósito que o guiava não era impossível, ainda que sobrenatural. Queria sonhar
um homem: queria sonhá-lo com integridade minuciosa e impô-lo à realidade. Esse
projeto mágico esgotara o espaço inteiro de sua alma; se alguém lhe tivesse perguntado o
próprio nome ou qualquer aspecto de sua vida anterior, não teria acertado na resposta.
Convinha-lhe o templo inabitado e despedaçado, porque era um mínimo de mundo visível;
a proximidade dos lenhadores também, porque estes se encarregavam de suprir suas
necessidades frugais. O arroz e as frutas de seu tributo eram pábulo suficiente para seu
corpo, consagrado à única tarefa de dormir e sonhar.(...)
Compreendeu que o empenho de modelar a matéria incoerente e vertiginosa de que
se compõem os sonhos é o mais árduo que pode empreender um varão, ainda que penetre
em todos os enigmas da ordem superior e da inferior: muito mais árduo que tecer uma
corda de areia ou amoedar o vento sem rosto. Compreendeu que um fracasso inicial era
inevitável. Jurou esquecer a enorme alucinação que o desviara no começo e procurou outro
método de trabalho. Antes de exercitá-lo, dedicou um mês à reposição das forças que o
delírio havia desperdiçado. Abandonou toda premeditação de sonhar e quase
imediatamente conseguiu dormir uma parte razoável do dia.(...)"

"O filho que gerei me espera e não existirá se eu não for".

domingo, 16 de outubro de 2011

quase segredo

Antes de dormir eu pensei. Acordei pensando. Era quase segredo pra mim mesma que o pensamento era você.
O pensamento não podia mais o ser.

A noite primaveril estava linda, e no meio de uma conversa - quase aconchegante - ela, lá em cima, caiu.
Quase caiu dentro do meu bolso; quase caiu do lado do meu pé. Estrela cadente. Estrela dona do desejo mais longínquo, é sempre pra ela que a gente guarda o que a gente mais quer.
Há que se fazer um pedido.
Cabeça cheia de você e desse sentimento que não quer ser. Esvazia, esvazia, esvazia.
Eu fiz uma pedido superficial, mas lá no fundo - do fundo do fundo de mim - eu me confessei, o pedido era ser Seu Carinho.

Quase tinha que ser, quase não foi nada. Quase segredo que eu ainda me encanto com esses olhos, quase mentira que eu quase não dei tanto valor ao que aconteceu.



quase, quase, quase, qua (qua, qua)..............

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

caminhei muito

Quando o caminho é longo eu tenho que pensar em algo, realmente interessante, para esquecer o quão longo ele é.
Da faculdade até a minha casa dá uns vários mil quarteirões, mas eles podem ser reduzidos a dois ou três se eu tiver um bom assunto a ser desenvolvido, comigo mesma. E fica mais fácil ainda se for primavera.

Era sobre cuidar da alma, que eu pensava, mais que do coração e do corpanzil. Porque é nela que, em essência, estamos. Há que lembrar quanta barra ela aguenta, além razão e emoção para cada fossa. É uma atenção quase ínfima, mas que torna o simples farfalhar de uma borboleta o acontecimento mais extra-ordinário do universo.

Minha alma agora percebia cores novas nas flores. Percebia os olhares com mais atenção. E os cheiros, ahh.... essa Alma aquietava todo o resto com os cheiros. Cheiro e lembrança, quase sinônimos, delícia de ser sentida.

Outubro já tinha ido pela metade e o Sol parece mais quente. A partir de amanhã o Sol estará mais presente, todo dia quase o dia todo. Tem Sol pra sempre? Depende da Alma - na verdade não, só até o próximo outono.

Caminhando e cantando; e seguindo a canção.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pensando nisso

Eu pensava, que você deveria apenas escolher: importar-se ou não.
E esse importar-se referia-se aos sentimentos alheios, em relação a você. Desde o desprezo até o amor platônico. Porque eles podem ser reduzidos a nada. Nada mesmo.
Cabe escolher "acolher", ou ignorar.
Atenção: Importar-se implica, inclusive, sofrer. Com o amor ou a indiferença.

QUANDO É BOM: Quando é confortável a situação de ser admirada pelo outro, o ego fica a mil por hora e, por mais desprezível, sempre sobra uma pontinha da íris para brilhar.

QUANDO DÓI: É indiferente, deveria ser totalmente o reverso. Mas não é. Tem mais mil quatrocentos e três motivos para você lembrar de esquecer que em algum canto do mundo, para alguma pessoa você não faz diferença alguma. E isso deve ser importante para você: você mesmo, yourself, solo tu, etc e tal.


O outro lado......
QUANDO A ESCOLHA NÃO É SUA: Você está fazendo bem ou fazendo doer, enquanto exerce o sentir. A posição há de ser tomada pelo outro. A faca e o queijo, tudo nas mãos do outro. O coração, nas mãos do outro. Mas ainda há uma saída: seja "carola". Vale ser devota, amar platonicamente, sem ter certeza alguma do que há do outro lado.




As vezes eu sou devota, as vezes o Ser Supremo.
E ainda tem aquelas vezes que eu sou o Ser Supremo de Mim Mesma.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A arte faz parte














Falar em teoremas matemáticos na sala de aula, mesmo que com toda exatidão e estudo desenvolvido sobre diferentes resoluções, é difícil.

Falar de arte torna-se ainda mais por haver uma possibilidade muito maior do “erro”, ou melhor, de diferentes interpretações corretas , acerca do assunto. E é através dessa “inexatidão” que disciplinas das artes (teatro, música, dança) além de despertar um sensível no aluno , é com a arte contemporânea que traz maior senso crítico e aproximação com obras que trazem realidades do mundo inteiro, como a fotografia do Sebastião Salgado, por exemplo. Porém é com essa mesma “inexatidão” que tais disciplinas foram marginalizadas; mesmo que desenvolvam, ou aprimorem, aptidões como desenvoltura corporal, no teatro; concentração evoluída, na música; e noção espacial, na dança. Alguns aprendizados tão importantes quanto a regra de três ou o cálculo da velocidade média.
A arte contemporânea trouxe uma vertente mais crítica, fazendo com o que os estudos em Artes Visuais sejam muito mais abrangentes, que na arte renascentista, por exemplo. A proporção atingida pelos estudos artísticos vai além dos livros; Nietzche, por exemplo, “já vinha bradando pela arte e sua relação mais próxima com a vida, nos convocando a pensar nossa própria existência estetica¬mente."

Há muito mais a oferecer para a formação escolar que as alegorias utilizadas nas datas comemorativas. Ainda há muito que "pintar" nesse "sete".

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

árbitro de mim mesma

O livre arbítrio. A escolha. Eu mando em mim. Na escolha, no desejo. E até o não-desejar; eu quem mando.
Se estiver lá, eu quem escolhi. Se não estiver também. Tem sim as vezes em que o que te rodeia te impede, mas aí é outra história. Você escolheu estar lá, se não esteve tem motivos, que não você, para te impedirem de estar lá.

Mas estive pensando em tudo isso quando escolhi não banalizar mais as coisas. Se eu quero, eu quero. Se eu amo, amo. Se vivo, VIVO. Nada de ficar fingindo o querer, o amor, o viver. Porque com o fingimento há a falsidade, a dissimulação, o que não é você. E se SER, para NÃO SER VOCÊ, qual o objetivo?

Escolhi ter vontade e fazer. Seguir meus valores, meus princípios, minhas escolhas por mim mesma.

Escolhi que estaria caminhando contra a corrente, até não poder resistir. E assim fui. Força, força. "Pra exercitar todo o músculo que sente". E o dia nasceu feliz. Porque se você escolhe o Tentar, você prova a coragem. Que não pode ser fingida, tem que vir de dentro - cheia de vontade. Se você escolhe caminhar contra, tem que saber que estará consigo mesmo, por vezes. Beleza, eu quem sempre me entendi melhor que os outros mesmo.

Escolhi não sofrer dessa vez. Porque quando escolhi recomeçar tudo, saberia que chegaria esse dia: o de não ser mais. O não ser mais não é, e pronto. Do verbo já foi. E eu escolhi não ser mais vitima de nada. Tem sempre o sorriso, sempre a "Pollyana" para qualquer situação, tem de ser entregue a estes lados. E, sem esquecer, sem banalizar. Porque rir fingindo também não vale, tem que rir com a alma. Tem que gargalhar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Filosofia de janela de ônibus



Hoje eu voltava pra casa toda "cética". Pensando no quão bonito é o amor. Sem banalizações. Essa coisa de se entregar de maneira veemente, louca e insensata. De ser do outro sem querer saber se ele é nosso. Eu sou assim. Eu amo, eu abraço, eu beijo. Penso antes de dormir, mando torpedos bregas, dedico músicas. Vivo aquele amor comigo a todo instante. E se a outra parte não está tão entregue quanto eu, não tem problema. Eu gosto de viver o amor do meu jeito. E se o outro me aceita assim e sabe ser assim, melhor ainda. Meu amor é quase platônico.

Aí, pensando nesse "platonismo", que eu construo cada vez que eu me encontro com um olhar e fico alucinada de amor, eu pensei nas carolas. Elas mesmo, aquelas vovózinhas(nem sempre) assíduas na igreja. Que não levam o nome de Deus em vão, que tem Deus no céu e na terra e em todos lugares, que estão sempre pondo a prova a própria fé. E elas fazem tudo isso, sem nem saber se existe mesmo alguém lá em cima que olhe por elas. Elas acordam de manhã rezando e assim o fazem antes de dormir, por amor. Um rosário não basta, tem de estar ajoelhada e em dia com as confissões. Tudo isso por amor. Um amor cegamente respeitado.

Cegamente. Elas rezam e eu amo. E eu sou apaixonada por amar assim. E, igualzinho a elas, não gosto que me questionem sobre esse jeito de amar. E exatamente como a fé, o amor só não é válido quando faz mal, o resto todo tá valendo. Até ser piegas e ficar pensando nele olhando pela janela do ônibus (Até escrever sobre ele no blog, inúmeras vezes).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Um testículo para september:


Não sei se pela chegada da primavera ou se pelas tormentas agostinianas terríveis, o fato é que você, Sr. Setembro, é muito esperado e sempre muito bem-vindo!

Well Come, mon amour! Venha cheio de graça e raios de sol. As flores e seus aromas já estão exalando da minha alma.

Agosto estava lindo. E foi no dia 18 de agosto que eu pensei: "Estás tão lindo, Agosto. Algum problema?" Eram dias cheios de sorriso e alegria, era música do Chico cantada no ouvido, era ins-piração diária para a faculdade, era vontade de MAIS e MAIS! Era "rock'n roll all night, and party every day!"
Tinha problemas sim, ele só estava me enganando. Bobalhão. Pedi que viesse setembro logo para não temer tnto pelos últimos dias do mês oito. Droga. Eles vieram e cheio de estresse, raiva, frio e babaquice. Fosse somente a TPM, mas não... ainda tinha que "passar agosto esperando setembro". Estava tudo certo para estar errado demais posteriormente, ooo ... felicidade de pobre dura pouco, mais ou menos uns 20 dias.


Mas enfim, por fim: findou-se! tchau agosto, tchau tchau tchau. Bug bug, bye bye. Primvera. Verão já está aí!
Setembro, viver-te-ei cheia de "alegria alegria"!
"Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento. Num sol de quase dezembro, EU VOU! Por entre fotos e nomes: os olhos cheios de cores, o peito cheio de amores vãos.
EU VOU! Por quê não? Por quê não?"


IMAGEM: Tarsila do Amaral, porque Setembro começa comemorando primaveras desta "brava gente brasileira"!!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

a arte do entusiasmo: Marc Chagll e George Orwell


O que é o que é: busca o impossível, traz utopia e não precisa ser vermelho com coraçõezinhos? ROMANTISMO

A arte do entusiasmo, o romanesco, o romantismo e a confusão com o amor, a paixão e as explosões vermelhinhas em forma de coração. O romancista que é com o violeiro romântico que faz a serenata para a moça que olha s estrelas, que mora na rua paralela a sua. Para ser romântico não precisa ter frase de amor. Não precisa de um príncipe e uma donzela perdida. Não precisa de "I ♥ U" escrito de batom vermelho no espelho.

Uma cambada, de bichos subversivos, expulsa o fazendeiro e passa a viver em "harmonia" até aparecer um novo líder e tudo parecer pesadelo de novo. PLIN: Revolução Russa! A ideia dos então protagonistas da "união faz força" e a busca de uma vida mais justa.

Aqui está, uma oficina que eu to bolando: a desconstrução do romantismo "coraçãozinho" trazendo Chagall e Orwell com seus "sonhos" e o (im)possível.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Bukowski, "mais uma criatura atordoada pelo amor"


O amor é mesmo um cão dos diabos. Charles Bukowski e essa sinceridade, quase ácida, merecem tamanho respeito. O amor deu o que falar. O amor cotidiano, o amor carnal. O amor sexo. O "anti-amor".
Meu amigo está fissurado pelo poeta e, após ler vários versos, resolveu emprestar-me um livro.
Voltei pra casa com o dia nublado. Andando com o minuano bagunçando meus cabelos e o dia, des-iluminado, cinza/branco, nem atrapalhou. Me vi gargalhando sozinha, entre uma calçada e outra, pelas ruas pelotenses.
Aqui vão uns versos incríveis, que o Thithis leu pra mim:

"Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?"

terça-feira, 21 de junho de 2011

JANELA DA ALMA !


"Nós não temos, por exemplo, os olhos como os têm a águia ou o falcão. Nós vivemos dentro de uma possibilidade de ver, que é nossa - que nem vê, supondo que os nosso olhos são normais, nem de menos, nem demais. E para tornar isso claro, eu digo, que se o Romeu[da estória] tivesse os olhos dum falcão, provavelmente, n se apaixonaria por Julieta. Porque os olhos dele veriam uma pele que, provavelmente, n seria agradável de ver; porque a qualidade visual de um falcão, cujos olhos o Romeu teria, não os traria a pele humana, tal como nós a vemos."




José Saramago, em Janela da Alma

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Oiticica, Duchamp e a anti-arte da vida


Marcel Duchamp e o famoso mictório, ou o "ceci n'est pas une pipe", nos fazendo pensar sobre as inúmeras técnicas que, bem feitas ou não, nos impressionam como espectadores há muito. Basta lembrar a perfeição e o quão pensado foi o afresco, por exemplo. Mas e aí? Qual tipo de imaginação é despertada naquele aglomerado de "perfeições"?

Hélio Oiticica vai longe, e além de romper com a noção da "contemplação" da obra, convida-o para "ser a obra", despertando a "contemplação sensorial".

Mas enfim, sobre esses dois renomes da Arte Mundial dá pra saber aí, durante devaneios virtuais. O fato é que depois discussões fantásticas em torno da ideia dos "Parangolés" do Oiticica, fiquei pensando de "PARANGOLERIZAR" a vida, entenderam?
Essa coisa toda de n ficar estática, pensando na vida do outro ou esperando semana que vem, próximo semestre e outros períodos para "O SER". Não sei se "SER" ou "ESTAR"; "ESTAR" é mais presente, é mais agora. É disso que eu gosto.


Era isso, um convite - fundamentado em grandes nomes - à vivência da "antiarte por excelência" !!

domingo, 12 de junho de 2011

sobre não namorar e "SER AMOR"



vai chegando junho e aquela "função 12 de junho"
deixa as solteironas com um pinguinho de inveja das "namorando".



não passei dia do índio com um índio, nem dia da árvore com as árvores... mas fiz desenho de dia do índio durante muitos anos na escola e plantei miliuma e protestei pelas árvores, logo, no dia dos namorados a lógica nao é ter um namorado: é amar e ser amado.

Namoro traz consigo satisfação, o que me irrita tremendamente. O compromisso em si já se torna meio confuso pra mim, mas deixemos isso pra outra hora; o fato é que acordar de manhã com o meu avô dizendo: Feliz dia dos Namorados e uma flor e ganhar chocolate de amiga me deixa muito mais lisonjeada que ter um namorado.
Sabe essa coisa de ser amada? Poisé.


Porém, contudo, todavia e entretanto... todo esse clima de casal feliz me fez pensar sobre o tal "namorando". Dá vontade de se sentir parte de outro, de querer ser a "eternidade" de outra pessoa, de receber surpresinha tosca e todo esse blábláblá que pede um relacionamento. Tive vontade de tudo isso. Mas vai que meu "kit namorando" não vem completo, nesses míseros 18 anos ainda não tive vontade de namorar... só de ser amada!!!!! já recebi proposta de namoro, nunca de viagem pelo mundo, pelos sonhos, tampouco de amor.
Não consigo mais aceitar relações pela metade, sou do mundo. Em outras palavras, não quero amar só um, quero amar o mundo e mostrar o meu mundo. Quero viver em outro mundo. Mais que namoro, o além desse mundo.

Feliz dia do SER AMOR, para os que acham que o namoro é um mosaico de dois mundos, dos dois amantes, não essa vaidade toda de se autoafirmar dizendo: tenho um namorado.

sobre o (des)amor e o motivo




como acontece rápido né?
demora, mas quando acontece parece
rápido demais pra tanto sentimento.






era uma vontade de viver só por ele, que ela n tinha mais a mínima vontade de nada se não recebesse uma ligação, um torpedinho sequer.
Coração acelera rápido, a música só tem graça se coincide com a história de vcs, querer ver, querer tocar, querer estar junto.

Eis que isso vai "gastando", e só será necessário um motivo pra tudo virar nada.
Não sei se "gastar" é a palavra certa. Mas acaba né? tudo acaba. Já estamos todos fartos de saber que vai passar tudo isso um dia, que esssa noção de eternidade é enquanto durar tudo isso, o que é muito legal (acreditar que um sentimento é tão verdadeiro que ele não acabará nunca).





O Motivo apareceu.

Rápido assim. Tudo isso porque já estava tudo preparado para não ser mais amor. Dentro em breve algum motivo apareceria e mostraria que foi tudo lindo, mas já não era mais.





O motivo tem nome, endereço. Fecha os olhos com o olhar fixo no meu, tem um sorriso lindo. Tem ideias incríveis sobre as coisas mundanas. Tem mãos ainda mais macias de afagar, braços mais compridos para abraçar - ah, o abraço do Motivo é o maior amor do mundo. Foi nesse abraço que o amor feneceu, para que renascesse com tantos outros sorrisos, suspiros, etc e tal.



Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim. No abraço de outros braços.

loucura, or not loucura.


Sobre o quão relativo é tudo isso de "ser louco". Cada louco com a sua loucura.

Se eu chego em casa gritando e rindo, enLOUQUEcida, minha avó diz que eu sou louca.
Já acharam loucura minha tomar banho de mar a noite, beber destilados sem parar, dançar freneticamente em público, cantar música brega em lugar cult. Já confundiram minha palhaçada, vontade de viver - e estar viva-, respirar mais fundo a vida, etc. e tal; com loucura.

EnlouCRESCER. EnlouCRESCIMENTO.
vai passando o tempo e a loucura vai mudando. os brinquedos mudam. as noções do quão enorme é esse mundo e pequena é a vida diante de tudo isso, mudam.
é essa a minha loucura, é ir crescendo até ficar do tamanho do mundo.


Alucinação. Piração. Vibração. Permissão.

Erasmo, no Elogio a Loucura, mostrou o quanto se faz necessária essa alucinação, piração, essa permissão dessa outra frequência. Fala da influência que essa loucura deve ter no nosso cotidiando e como pode ficar mais gostosa essa condição de existência que nos foi proposta.
É essa minha loucura, "não pode haver em mim nem maquiagem, nem dissimulação, e jamais se percebe em meu rosto as aparências de um sentimento que n esteja em meu coração"; qual é a sua?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

pensando sério

"Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder.
Quero tudo. Mas esse "tudo" é tão grande, tão vago, que me sinto estonteado.
É preciso ir limitando meu sonho, apagando as linhas supérfluas, corrigindo as arestas, até restar somente o centro, o âmago, a essência.
Mas qual será esse centro, meu Deus, que não encontro
?"



esse trecho do Caio, descreveu exatamente o momento.
Pensei em tudo que eu já havia produzido, o que eu queria produzir e o que eu esperava de mim mesma.

Planos. Planos. Planos. Objetivos. Metas.
Foram tantas listas de "onde quero chegar" marcadas na agenda que achei justo ficar um tempo sem meta nenhuma. Sem planos. Fazer pelo prazer, sem buscar nada.
Mas é assim, a gente precisa se dar um tempo. Pensar. Pra poder saber o se quer chegar, e ai... começa tudo de novo.

Planos.Objetivos.Metas.

domingo, 10 de abril de 2011

Bolsonaro e tal preconceito


situações cotidianas e o Sr. Jair Bolsonaro, me impulsionaram para tal post.

não tenho preconceito, a bem da verdade, não noto uma diferençazinha sequer entre uma cor e outra, sou quase daltônica para esse tipo de classificação: "louro, moreno, neguinho, sarará". Mas, dia após dia, somos postos frente às mais diversas situações em que, querendo ou não, florescem reações.
no ônibus, na calçada ou no clube: a brincadeira "só pq eu sou preto" é levada a sério por muitas pessoas, mais do que eu imaginava.


não sei, não tenho muito a dizer sobre tudo isso; só o tanto que me espantou o caso Bolsonaro e tantos outros espalhados na minha janela.

que fique, mais do que clara minha tristeza.
não soube dissertar sobre o caso do político- em si- mas ele foi o motivo desse post, dessa declaração.




Carolina Clasen, está IN DIGUI NA DA - e de tanta coisa pra falar sobre isso td, não sabe o que falar.
P.S: sempre que penso em preconceito racial, lembro dessa foto.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Menotti Del Picchia,


“Arlequim – seduzido pela angústia da saudade -
no temor de pedi-lo e na glória de te-lo
no gozo de prová-lo e na dor de perde-lo
no contato desfeito e no rumor já mudo
no prazer que passou... nesse nada que é tudo
O PASSADO, A LEMBRANÇA... A SAUDADE... O DESEJO!

Um jardim, um repuxo, uma mulher, um beijo”


Carolina Clasen adora Menotti del Picchia e quando o lê se estiver apaixonada, o intensifica e se não está, fica.

domingo, 20 de março de 2011

da vontade de ser bailarina



Três anos de idade e a ansiedade de pisar na sala de balé vestindo a sapatilha nº 27, a meia-calça cor-de-rosa sobreposta por mais rosas e rosinhas não me deixava pensar em outra coisa, se não que voltassem e as aulas e com elas começassem a maior novidade da minha vida: minhas aulas de balé iriam começar; toda essa euforia não me deixava parar quieta pensando na primeira “borboletinha”.
Era de manhã e frio. Aquele frio gaúcho, das primeiras manhãs de março... em que o outono quer avisar que tá chegando e fica cutucando o verão com uns 19/20º.
A bolsa cor-de-rosa já estava preparada e o figurino vestido, lembro de não querer comer, coisa de criança.
A mãe me levou como se estivéssemos indo a um Baile na Realeza, contando como ela também tinha dançado quando ainda era criança e dos seus inúmeros figurinos.

A primeira aula passou, passaram meses e a ansiedade ainda era como se fosse o primeiro dia.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente e lá estava eu mais uma vez fazendo um “demi pliê”.
Era chegado novembro e os papéis do espetáculo de final de ano foram distribuídos: eu e minhas amigas eramos flores vermelhas!
Toda a coisa do ensaio-geral começara e eu a cada dia encantava-me mais com a tensão de ficar em silêncio atrás da cotia, o medo da meia rasgar, experimentar mil vezes a roupa ajustando aqui e ali.

Flor Vermelha, Florista em A Bela Adormecida, Pirulito em O Quebra-Nozes, Narizinho em O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Boneca de Lata em O Mágico de Oz, etc e tal.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente e as mil interpretações tiveram o seu gosto, em cada uma delas o “Quebra perna e merda” fazia eu me sentir a maior estrela que saltitava naquele palco.
Fosse como a Professora, a Ana Botafogo, a Nílgia ou a Luana, eu queria ser grande E BAILARINA, exatamente como elas.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente, eu tinha vontade de viver daquele jeito pro resto da minha vida, dando “grand jetes”, spacats e mostrando como os meus movimentos se encaixavam perfeitamente nas notas musicais.

Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente, e veio o teatro, o handebol...
e surgiu a arquitetura.






Começava outra “vontade de ser”: um lápis 2B, um 4B e um pedaço de papel canson.

sexta-feira, 18 de março de 2011



"(...)É um humanitarismo direto, sem conclusões nem propósitos,
o que me assalta neste momento. Sofro uma ternura
como se um deus visse. Vejo-os a todos através de uma compaixão
de único consciente, os pobres-diabos homens, o pobre-
diabo humanidade. O que está tudo isto a fazer aqui?(...)

Senti-me inquieto já. De repente, o silêncio deixara de
respirar.(...)

Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por
uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da
vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais
— se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não
ser o símbolo de toda a vida.(...)

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam.
Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito.
Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia
lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da
suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente.
Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida
de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.(...)"



Respira-se melhor quando se é rico; é-se mais livre
quando se é célebre; o próprio ter de um título de nobreza é
um pequeno monte. Tudo é artifício, mas o artifício nem
sequer é nosso. Subimos a ele, ou levaram-nos até ele, ou
nascemos na casa do monte.(...)





Coisas diversar do Desassossego, do ilustre Fernando Pessoa.
A professora de psicologia da educação recomendou e eu embora ainda não tenha começado a ler a fundo,passei o olho por vários trechos. Estão aí.

domingo, 6 de março de 2011

sassassaricanndo



Já escureceu. Não sei que horas são mas o sumiço do sol foi bom motivo para pensar que está quase na hora de ir para o baile. Coloquei a roupa confortável, um sapato que dá pra pular bastante e o glitter nos olhos, como de tradição. Algumas horas e a banda estará tocando marchinhas carnavalescas, enquanto todos pulam e distribuem sorrisos no salão. Alegria. Alegria. Não sinto outra coisa. Não consigo sentir outra coisa enquanto ouço marchinhas carnavalescas. Desculpem. Não me peçam pra pensar na guria que chora pelo namorado(se for amiga vale!!). Não sentirei culpa se esqueci de algo ou alguém esta noite. Não queiram, por favor, que eu me sente. Passarei infinitas horas sentadas o ano inteiro: almoçando, jantando, internetando, lendo, estudando... e as horas que terei de passar deitada dormindo? Ah, quantas horas. Corpo exigente, OITO HORAS por dia?? porque não podem ser oito minutos...
É por essas e por outras que essa felicidade que transborda das cuícas no carnaval eu absorvo com todos os meus poros epidérmicos. Todos. Quero ser feliz. Pelo menos agora, enquanto ngm me olha pular e gritar.
Pelo menos agora que todo o mundo sorri, me deixem gargalhar.





Carolina Clasen ficou manca depois do carnaval. Pantorrilhas doloridas. Joelho ralado.

Com espinho ou sem espinho?

Sentada na cadeira de balanço mais confortável do mundo. Pra frente. Pra trás. Pra frente. Pra trás...
olhando direto pro jardim, via a minha vó voltando com quatro rosas recém cortadas nas mãos, e retirando seus espinhos ela as elogiava com certo orgulho, pois eram do seu próprio jardim. Ela sorria tão feliz.

o sol das dez da manhã, que já ia ficando quentinho, batia no meu rosto com certa força. Eu e minha avó tinhamos acabo de tomar café; daqueles longos onde são discutidos os mais diversos assuntos, e com ela é quase sempre assim. Falamos sobre o ingresso na faculdade. Ela ingressou com quase quarenta anos, e ainda tinha o mérito de estar entre as melhores colocações. Tinha filhos, uma família e a vontade de ser professora. Ela queria completar a felicidade, o sonho; não teve medo, conseguiu. E eu exalando medo do futuro, escutava tudo aquilo como uma lição... angustiada, dias antes eu tinha chorado por não ter entrado na faculdade escolhida e agora de alegria por ver meu nome numa lista qualquer. Mas ainda restava a dúvida se eram as artes visuais que eu queria naquele momento. e depois que conclui que era a melhor coisa a fazer, veio o alivio. E depois do alívio encontrei espaço na cabeça pra pensar na vida. Nesse futuro que eu estava com medo. E sentada na cadeira de balanço, pra frente e pra trás, eu pensava se felicidade tinha espinho ou não.

Será que eu conseguiria ser feliz, assim de quebra com sonho realizada e tudo? Ou dá pra ser feliz buscando a felicidade?
Felicidade espinhosa ou não eu seguirei tentando, e se não foi pelo caminho que eu quis eu vou tentar pelo que me escolheu.




Carolina Clasen, por vezes tem medo de tentar ser feliz, ou então de não conseguir o ser. Mas uma certeza ela tem, se felicidade tiver espinhos ela vai pedir a vó Regina que os retire.