domingo, 6 de março de 2011

Com espinho ou sem espinho?

Sentada na cadeira de balanço mais confortável do mundo. Pra frente. Pra trás. Pra frente. Pra trás...
olhando direto pro jardim, via a minha vó voltando com quatro rosas recém cortadas nas mãos, e retirando seus espinhos ela as elogiava com certo orgulho, pois eram do seu próprio jardim. Ela sorria tão feliz.

o sol das dez da manhã, que já ia ficando quentinho, batia no meu rosto com certa força. Eu e minha avó tinhamos acabo de tomar café; daqueles longos onde são discutidos os mais diversos assuntos, e com ela é quase sempre assim. Falamos sobre o ingresso na faculdade. Ela ingressou com quase quarenta anos, e ainda tinha o mérito de estar entre as melhores colocações. Tinha filhos, uma família e a vontade de ser professora. Ela queria completar a felicidade, o sonho; não teve medo, conseguiu. E eu exalando medo do futuro, escutava tudo aquilo como uma lição... angustiada, dias antes eu tinha chorado por não ter entrado na faculdade escolhida e agora de alegria por ver meu nome numa lista qualquer. Mas ainda restava a dúvida se eram as artes visuais que eu queria naquele momento. e depois que conclui que era a melhor coisa a fazer, veio o alivio. E depois do alívio encontrei espaço na cabeça pra pensar na vida. Nesse futuro que eu estava com medo. E sentada na cadeira de balanço, pra frente e pra trás, eu pensava se felicidade tinha espinho ou não.

Será que eu conseguiria ser feliz, assim de quebra com sonho realizada e tudo? Ou dá pra ser feliz buscando a felicidade?
Felicidade espinhosa ou não eu seguirei tentando, e se não foi pelo caminho que eu quis eu vou tentar pelo que me escolheu.




Carolina Clasen, por vezes tem medo de tentar ser feliz, ou então de não conseguir o ser. Mas uma certeza ela tem, se felicidade tiver espinhos ela vai pedir a vó Regina que os retire.