domingo, 20 de março de 2011

da vontade de ser bailarina



Três anos de idade e a ansiedade de pisar na sala de balé vestindo a sapatilha nº 27, a meia-calça cor-de-rosa sobreposta por mais rosas e rosinhas não me deixava pensar em outra coisa, se não que voltassem e as aulas e com elas começassem a maior novidade da minha vida: minhas aulas de balé iriam começar; toda essa euforia não me deixava parar quieta pensando na primeira “borboletinha”.
Era de manhã e frio. Aquele frio gaúcho, das primeiras manhãs de março... em que o outono quer avisar que tá chegando e fica cutucando o verão com uns 19/20º.
A bolsa cor-de-rosa já estava preparada e o figurino vestido, lembro de não querer comer, coisa de criança.
A mãe me levou como se estivéssemos indo a um Baile na Realeza, contando como ela também tinha dançado quando ainda era criança e dos seus inúmeros figurinos.

A primeira aula passou, passaram meses e a ansiedade ainda era como se fosse o primeiro dia.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente e lá estava eu mais uma vez fazendo um “demi pliê”.
Era chegado novembro e os papéis do espetáculo de final de ano foram distribuídos: eu e minhas amigas eramos flores vermelhas!
Toda a coisa do ensaio-geral começara e eu a cada dia encantava-me mais com a tensão de ficar em silêncio atrás da cotia, o medo da meia rasgar, experimentar mil vezes a roupa ajustando aqui e ali.

Flor Vermelha, Florista em A Bela Adormecida, Pirulito em O Quebra-Nozes, Narizinho em O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Boneca de Lata em O Mágico de Oz, etc e tal.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente e as mil interpretações tiveram o seu gosto, em cada uma delas o “Quebra perna e merda” fazia eu me sentir a maior estrela que saltitava naquele palco.
Fosse como a Professora, a Ana Botafogo, a Nílgia ou a Luana, eu queria ser grande E BAILARINA, exatamente como elas.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente, eu tinha vontade de viver daquele jeito pro resto da minha vida, dando “grand jetes”, spacats e mostrando como os meus movimentos se encaixavam perfeitamente nas notas musicais.

Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente, e veio o teatro, o handebol...
e surgiu a arquitetura.






Começava outra “vontade de ser”: um lápis 2B, um 4B e um pedaço de papel canson.