Os trovões vibravam no céu. As nuvem cuidavam de enegrecer cada pedacinho de azul lá em cima.
A brisa que refrescava o forno primaveril, do quase verão dezembrino, avisava quase suavemente: aí vem a tormenta!
Algumas pessoas corriam, para proteger-se em casa. Quentinhos, aconchegados.
Outros arrastavam seus pedaços de papelão para proteções que iam de áreas residenciais a toldos comerciais.Os carros pareciam estar mais apressados. Os pedestres andavam, impacientemente.
CABRUM!!!! Os guard-chuvas são abertos. Num piscar de olhos eles estão todos protegidos. Menos eu.
Moradores de rua protegendo os cobertores, as loirinhas a chapinha.Moradores das casas fechando as janelas, motoristas de carros repetiam o gesto.Tudo uma proteção, da chuva, do frio. Eu não tinha nada a proteger.Protegiam-se da miséria da calçada, da sujeira que entupia boeiros.
Protegiam-se do desespero alheio, do caos do transporte público dentro do ar condicionado de seus automóveis.
Parece que na chuva as coisas ficam mais evidentes, junto com a água corrente na guia da calçada.
Parece que chuva fica mais exposta a diferença. Eles se protegem com guarda-chuvas de descaso.