A irritação me inspira. É um segredo meu, mas eu sou mais irritada do que parece. E é so uma questão de educação e respeito eu não deixar que todos vejam, mas eu passo a maior parte do tempo me irritando com as pessoas. A irritação me deixa mais racional. A irritação não é escolha, a esolha é relevar esse estado de espírito e ser ranzinza; então não é ruim(pq eu não relevo e só sou ranzinza por vezes!).
E foi num desses momentos "racionais" que, frente a uma doçura sem tamanho eu pensei: quem foi que disse que a vida tem que ser doce? (tá, caio fernando abreu. mas questionemos!)
Eu não to falando de sorrir e ser alegre, me refiro ao conformismo.
É, eu noto conformismo por aí. Sabe o tal "aceitar o que tá rolando", o "deixa a vida me levar", "não era pra ser"? Não acredito nessa doçura, acredito na doçura racional. Naquela em que nós, arbitros de nós mesmos, podemos ser desse jeito que pensamos. Sem ferir o outro, é claro, mas sem ferir a nós primeiro. Sejamos doces enquanto coadjuvantes de escolhas alheias, não nas nossas.
Eu pensava nisso sempre que eu me via numa situação para agradar o outro. Sempre que eu via outra pessoa fazendo algo, transparentemente, só para me agradar.
Aí eu pensava na sinceridade, na gentileza e, de novo, no conformismo. Nessa quietudade quase submissa que me irritava tanto, mas era a mesma que não me deixava mostrar a irritação interna.
Contradições humanas e mundanas, o mistério: ser doce ou não, eis a irritação.