quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Entretenimento Encomendado

Nas escolas, nas páginas virtuais ou nos canais televisivos; a industrialização tornou educação e mundo virtual um só. Há entretenimento e educação, uns mais que os outros; em alguns fica mais evidente que se utilizam para “ensinar brincando” e os que não ensinam e contém mensagens subliminares das mais variadas, tornando o espectador não mais que um objeto de desejo que faz parte de idéias fixas e programadas.

A cultura de massa é a mais evidente, mas não pode ser a única proposta na sala de aula - e em qualquer outra instituição (de ensino, ou não). Porém, os “sinais” mais atraentes [componentes dessa cultura] quase sempre são aos que não possuem fins educativos. A diferença está, muitas vezes, na abordagem do intelecto da criança enquanto espectadora, espectador enquanto aprendiz.

A produção “encomendada”, no campo das artes plásticas, música, etc. já acontecia há muito, mas é a com a “globalização” que ela se torna mais evidente. Globalização de idéias, produção, massificação do ser. Os desejos. Os medos, a felicidade, a alegria; produtos comprados em qualquer esquina. Cria-atividade, a atividade de criar é o produto menos adquirido na loja mais próxima de você.

Muitas vezes por medo, ou por não saber como fazer a abordagem, o programa de televisão, o filme, o vídeo-clipe, tornam-se inimigo do educador. Pois analisado superficialmente, o conteúdo exposto, torna-se só mais um dentre outros tantos oferecidos pelos meios de comunicação, e a absorção será superficial, quiçá subliminar.

A mensagens estão por trás, notada só pelo inconsciente e se não trabalhado com cuidado o objetivo proposto, só o que, geralmente, não importa será apreendido.

Quando as ferramentas audiovisuais e os avanços tecnológicos deixam de ser vistos apenas como material de apoio às aulas e ainda é negada essa inserção direta enquanto meio de comunicação, o aprendizado, que não precisa excluir o entretenimento, acaba ficando em segundo plano; tendo em vista a falta de preparação do professor para a utilização e aplicação do conteúdo enquanto conhecimento.

da série: Cenas Cotidianas


Crianças sempre bagunçam muito o sensível, olhares sempre penetram muito em mim.
Lá vai....

"Era um caminho muito engraçado, não tinha livro, não tinha nada.
Ouvir música não podia não, por funk vibrava no fundão."

E aí eu volto àquele estado de espírito que vcs já conhecem, meio cético, de ficar longe de tudo. Olhando as coisas de fora, ficando em outro plano e vendo tudo sob a moldura escolhida.
O personagem principal desta vez era uma criança, um menininho, de mais ou menos 7 anos. Tinha o léxico meio chulo, mas mostrava a mãe a cidade com a imaginação pueril que eu mais invejei na minha vida.
"Mãe, aquele carro poder ser da gente né? O pai trabalha trabalha, tu trabalha e eu estudo um monti, ti prometu"
"Mãe, olha ali. Olha! Olha! É mais bonita que a Gabriele da 1ª B!!!!!! Será que ela me namorava?"

O ônibus seguia o itinerário quase como uma canção barroca: por vezes apressava, mas logo acalmava de novo. Será que tinha trânsito em Pelotas? Não era nisso que eu pensava, era no meu personagem.
O ônibus parou no farol e ele: "MANHÊ, OLHA É O PAI!!!!!!!!" A mãe olha, meio descrente, "Ah!" (...) "põe a cara pra fora, grita pra ele, guri!!!" Ele executa a ordem quase que instantaneamente: "AÊ PAIÊÊ"
Estiquei um pouco os olhos pra poder enquadrar melhor o pai. Ele estava sentado no bar, num buteco. Só deu tempo de acenar pro filho e o ônibus acelerou de novo.
Agora, com o tom de voz um pouco mais baixo, ele dizia:"Mãe, porque o pai já não vai co a gente? Ele já parou de trabalhar." Ela olhou desanimada e disse: "Ele já vai, filho."

O olhar ficou distante. Os dois olhavam o infinito como se estivessem olhando um filme de ação, sem piscar. Atrás deles tinha os meus olhos, que agora acompanhavam o infinito junto com eles.

Rafael Pagatini; “A insustentável leveza da gravura”



As vezes com mais de um metro, outras com pouco mais de dez centímetros. Não existe tamanho padrão, o que padroniza a exposição de Rafael Pagatini é a minuciosidade. A xilogravura feita com o papel que é encontrado longe e a paciência e cuidado que vem de perto, de dentro do artista.

As gravuras trazem casas de ruas da sua cidade natal, que foram demolidas em prol de construções mais “lucrativas”, algumas com neblinas, noite escura, ou névoas, “Brumas (de Saudade)". Há ainda aquelas que, agora denominada “Interiores", procuram o olhar dos personagens, e retrata-os fiel e melancolicamente.São inúmeras, e quase incomensuráveis linhas, que formam cenas tranqüilas e distantes do plano do espectador.

Um sistema dentro do sistema, a necessidade ainda não há.


Como se nos guiássemos primeiro por nós mesmos, depois pelas leis universais. A educação tem reagido desta forma diante das evoluções humanas. Mas diferentemente de como acontecia em séculos passados, em que a instituição de ensino era um privilégio dos “escolhidos” para a luz(conhecimento) , atualmente, a luz ilumina a todos, mas mesmo assim ainda não basta. Há primeiro a sociedade, depois a educação(ou a política, o dinheiro, a hipocrisia...depois a educação). Com essa ordem, a educação acaba sendo fruto de necessidades propostas por uma sociedade que, lembremos, se coloca antes da educação. A sociedade em primeiro lugar, antes de qualquer coisa, acarreta na construção de valores baseados na, quase, ignorância(se considerarmos a educação como uma ciência, descartando-a enquanto vivência).

Também de forma diferente de séculos passados, e ainda nessa linha da necessidade posta a frente, o conhecimento passou a ser adquirido cada vez mais especificamente. Antes estudava-se engenharia ou artes(ainda sem considerar as modalidades bacharelado e licenciatura) ; hoje você estuda engenharia ambiental, madeireira, elétrica, civil, entre tantas outras; o mesmo acontece nas artes, antes você, enquanto artista, era doutrinado a esculpir, moldar, pintar, talhar, no ensino atual os aprofundamentos ocorrem depois da graduação, em mestrados e doutorados.

Partindo dessa ramificação do ensino vem logo o questionamento: Por quê ainda não temos aula obrigatórias de educação biocêntrica, teatro ou dança? A resposta vem quase que imediatamente, porque a sociedade capitalista ainda não precisa conviver com o sensível do ser humano, ser racional está a frente e é essa a necessidade, evidenciada, a ser suprida.

Existe uma linha, muito tênue, entre fazer o que queremos e querer o que fazemos; o sistema instiga você(mas só até onde quer) a buscar uma profissionalização, a fazer parte da massa, você quer se sentir parte desse todo, dessa máquina moderna, você é ensinado a pensar globalmente e atender as necessidades universais – cientifica, exata e biologicamente. Pensar o espaço e o tempo de forma subversiva, valorizar a educação enquanto consciência do “ser/estar”, questionar, apreender e compreender, o espectador aprendiz da educação não faz o que quer, quer o que faz.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

no infinito, ou no além


Uma vez que as metanarrativas foram abandonadas na pós-modernidade e o homem enfrenta questões globais e eternas nesta “aldeia global”, onde o que era estranho se tornou vizinho, o tempo e as distâncias têm nova dimensão, indaga-se: onde buscar a mínima coerência para levar adiante o projeto humano?
Na alma. Eu sigo insistindo: existe muito além desse plano, existe muito mais sensibilidade. É metafísico.
Antes de mais nada, é mais coração. É menos matéria, é cósmico.

As respostas estão sempre dentro, as perguntas é que vem de fora. "Porque vc me ama?"; "Porque estás aqui?" ....


domingo, 20 de novembro de 2011

só mais uma contradição

A irritação me inspira. É um segredo meu, mas eu sou mais irritada do que parece. E é so uma questão de educação e respeito eu não deixar que todos vejam, mas eu passo a maior parte do tempo me irritando com as pessoas. A irritação me deixa mais racional. A irritação não é escolha, a esolha é relevar esse estado de espírito e ser ranzinza; então não é ruim(pq eu não relevo e só sou ranzinza por vezes!).

E foi num desses momentos "racionais" que, frente a uma doçura sem tamanho eu pensei: quem foi que disse que a vida tem que ser doce? (tá, caio fernando abreu. mas questionemos!)

Eu não to falando de sorrir e ser alegre, me refiro ao conformismo.

É, eu noto conformismo por aí. Sabe o tal "aceitar o que tá rolando", o "deixa a vida me levar", "não era pra ser"? Não acredito nessa doçura, acredito na doçura racional. Naquela em que nós, arbitros de nós mesmos, podemos ser desse jeito que pensamos. Sem ferir o outro, é claro, mas sem ferir a nós primeiro. Sejamos doces enquanto coadjuvantes de escolhas alheias, não nas nossas.
Eu pensava nisso sempre que eu me via numa situação para agradar o outro. Sempre que eu via outra pessoa fazendo algo, transparentemente, só para me agradar.
Aí eu pensava na sinceridade, na gentileza e, de novo, no conformismo. Nessa quietudade quase submissa que me irritava tanto, mas era a mesma que não me deixava mostrar a irritação interna.
Contradições humanas e mundanas, o mistério: ser doce ou não, eis a irritação.

sábado, 19 de novembro de 2011

Seria tudo meu

É sempre o "e se...". Se acabasse amanhã. Ou ainda, se acabasse agora.
Certamente, se acabasse agora essa saga do plano terreno, eu teria aprendido que viver é diferente de existir. Que a minha vida pode ser muito mais interessante se ela for minha, e os outros são os outros e só. O sentir deixa de lado toda a parafernália dos princípios, quase vagos, e cria outra dimensão quando é seu de verdade. Quando você entende que existe sim um livre arbítrio, e ele é totalmente seu, as escolhas passam a ter outro sentido; elas deixam de ser escolhas alheias e passam a ser as suas escolhas.
As minhas vontades, as minhas escolhas, os meus desencontros, as minhas risadas, as minhas lágrimas, os meus desatinos, as minhas unhas azuis, os meus silêncios. Tudo isso foi muito mais meu quando foi só meu. Eu não queria fazer nenhum tipo de comunhão com o que era meu e, assim, dessa forma quase egoísta, eu teria deixado a minha vida mas ainda teria a minha alma.

domingo, 6 de novembro de 2011

A vitrine é um relógio


Parecia que as estações mudavam de três em três semanas.
Flores haviam nascido e pétalas já estavam no chão do jardim,
a primavera já tinha iniciado e boa parte já tinha ido embora.
O verão parecia estar chegando,
não fosse pelos braços de fora eu não o notaria.

Notaria sim. As vitrines já estavam iluminadas, todas em vermelho e verde.
Ho Ho Ho; o ANO PASSOU.
Logo logo elas já estão cheias de confetes e serpentinas, um sexto de ano já foi embora. Coelhinhos e chocolates, dois terços de ano resta agora. Frio, frio; nas vitrines cachecóis e cobertores, fondue com morango e amora. A primeira flor apareceu, tem primavera: calor e aurora. Ho Ho Ho; o ANO PASSOU.


Foto:Navidad já anunciada em Montevideo, primavera 2011.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

UPP – Unidade da Polícia Pacifi... panificadora???





Isso não é nenhuma opinião politizada, embasada em grandes estudos sobre ou uma tentativa de opinião formada. É, quase, somente um palpite.

Uma das notícias do Jornal Nacional hoje era a instalação de uma nova UPP. Agora no Morro da Mangueira, e assim era formado um “cinturão de UPPs” em torno do Maracanã. Agora sim, com isso, a Copa do Mudo estaria segura. 2014 já tinha um problema a menos; o Maracanã, um ícone do futebol brasileiro, estava rodeado por “meridianos” da paz. As linhas imaginárias que deixariam multidões turistas seguras(e os anfitriões?).

2000e14, quase a justificativa – ou melhor, o motivo – para a instalação de 18 unidades policiais em comunidades que estavam em torno do estádio de futebol. Um bom negócio né?
O evento esportivo mais prestigiado do mundo, promove e movimenta todos setores econômicos. Direta ou indiretamente, até as panificadoras tem de aumentar a produção de pãezinhos para recebê-lo. Quase imperativamente: Todos devem estar preparados! .
E agora tem mais essa, as pacificadoras tb.