É claro que eu achei bizarro não fazer parte da tua despedida. Não fazer parte da tua última aprovação, do teu primeiro emprego. Imagina só que eu não sei nem que é o último cara que você transou! Nem quisemos saber qual era a programação do feriado uma da outra. Por acaso, nos encontramos por aqui e ali, mas não contamos nada mais além do que tinhamos contado ao padeiro: sobre como íam as respectivas mães e se estava "tudo bem". Não não estava tudo bem, Fulaninho estava sem me responder há uma semana e eu queria te contar isso; mas esses "tudo bom, tudo bem"? a gente reconhece de longe a superficialidade. Além disso, eu estaria sendo injusta com o padeiro se detalhasse mais a você que a ele minha vida. Ele tem me dado mais motivos para sorrir que você, o pão, além de mais macio, têm saído na hora certa; e isso não acontecia há muito, desde quando não voltava mais a nossa cidadezinha.
Sempre achei estranho encontrar um cara que eu beijei na balada passada e nem saber como cumprimentá-lo na semana seguinte, mas com as amigas isso é muito mais constrangedor.
Foi estranho encontrar a sua família e lembrar que não era mais a sua mãe, tão mãe quanto a minha. Encontrei uns pertences inúteis e umas coisas que tinha preparado para o último natal. Que coisa estranha esse negócio todo de existir, ir e vir.