Repousa um corpo do lado do outro. Olhar, dois olhos nos dois do outro. Encosto os lábios para conferir teu corpo e tua verdade. Umas três palavras e pausas para rir. Pausa para respirar no teu pescoço. Te sentir cinco vezes: tatear a pele, ver o olho, respirar o teu cheiro, morder a orelha e beijar teu paladar. Te querer seis vezes. Te beijar sete. E se eu fosse tu eu abusaria de mim. Eu ali, tão cheia de pudor que estava nua. Tão dona de mim que estava tua. E a idiotice orgulhosa seguia separando nós dois.Não, nem era a idiotice orgulhosa, era qualquer outra coisa. Poderia ser repulsa. Se eu respirasse tesão, não oxigênio, eu já teria te mastigado inteiro. Teria te comido sem nenhuma regra de etiqueta, me lambuzando inteira. Não, era uma implicância da mente que me lembrava a idiotice orgulhosa.Se eu fosse eu e não estivesse sendo tu, eu me importaria menos com o que os outros tinham dito ou poderiam dizer.Não, era um amor que ardia sem se ver tão implicante quanto qualquer lembrança das tolices juvenis. Eu me tornei tua súdita. Mentira, só me acostumei com o lugar que já havia tomado há muito tempo. Te odiei.Te fiz rei. Me arrastei, te arranhei, me agarrei nos teus cabelos. Voltamos a tomar nossos respectivos lugares na cama, com os corpos repousados. E nos amamos e retomamos os lugares mais umas oito vezes.
Levantaste para tirar meu cheiro do teu corpo e voltar a dormir tranquilo. Te esperei dormir ao teu lado, na minha posição de súdita. O estado contemplativo desta vez durou menos, uns nove minutos. Te adorei, mas pelo avesso. Tirei teu braços de mim e fui embora. "Só estava te tirando de mim. To indo embora. Beijo. Tchau" Eu vou viver dez, eu viver mil. Eu vou viver sem você.