CLASEN, carretéis e desvarios.
é só um blog, é só uma anotação virtual da alma.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
contar até dez para ir embora
Levantaste para tirar meu cheiro do teu corpo e voltar a dormir tranquilo. Te esperei dormir ao teu lado, na minha posição de súdita. O estado contemplativo desta vez durou menos, uns nove minutos. Te adorei, mas pelo avesso. Tirei teu braços de mim e fui embora. "Só estava te tirando de mim. To indo embora. Beijo. Tchau" Eu vou viver dez, eu viver mil. Eu vou viver sem você.
te (d)escrevo para lembrar de esquecer
Eu disse para São Rimbaud das Temporadas Infernais que me escutasse e me enviasse umas preces, ele deu jeito de enviar uma mensagem divina:
"Eu habitava em sua alma como em um palácio que se desocupou para não se ver nele uma pessoa menos nobre que vós: eis tudo. Ai! eu dependia por completo dele. Mas, que queria ele de minha existência opaca e covarde? Não me tornava melhor, se não me fazia morrer! Tristemente despeitada, eu lhe disse algumas vezes: "Compreendo-te". Ele dava de ombros.(...)Ai! dias havia em que os homens afiguravam-se-lhe joguetes de delírios grotescos; punham-se a rir horrivelmente, por muito tempo. - Depois recuperava seus modos de jovem mãe, de irmã mais velha. Se fosse menos selvagem, estaríamos salvos! Mas também sua
doçura é mortal. Estou submetida a ele. - Ah! Estou louca!". "Um dia, talvez, desaparecerá maravilhosamente; mas preciso saber se voará para algum céu, para que eu veja, ainda que por um pouco,
a assunção de meu amiguinho"
E eu repetia mais ou menos isso quando acordava: "Um dia, talvez, desaparecerá, maravilhosamente;(...)" Dos delírios do Rimbaud, ou mais um dos meus incontáveis modos de (d)escrever o que fomos, o que pretendiamos ser; mas o jeito de te encontrar agora era num quase mantra, que te mandava para o Céu. Enquanto eu tirava uma temporada no Inferno. Longe, alucinada e delirante. Queimando na ninhada de labaredas, pronta para te esquecer.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
das mãos epalmadas o espanto e como eu acho estranho tudo isso
Marinheiro
Porque diabos dói?
né, Pollyana?
viu a fumaça e decidiu que vinha do fogo
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Não apaga a luz
Os meses gelados do inverno pedem abraços e sorrisos para que esquentemos. Inverno passado foi diferente e eu me sentia quente mesmo sem tê-los[os abraços, ou os sorrisos], alguma coisa aqui e acolá supriam o desejo dos teus braços e teus dentes. O desejo supria o próprio desejo. Mas inverno é sempre inverno e mesmo que tenha gramado com sol, amigos e bergamota ao pé da arvore, vai fazer sofrer na hora de pensar em tomar banho. E é com a bergamota e os cremes de abacate que eu finjo que eu amo o inverno; é quando a gargalhada aquece que eu finjo que amo o inverno.
E do mesmo modo, quando você surgiu eu resolvi fingir, mas o arrepio da pele quando tuas mãos me tocavam não me deixaram mentir.
Traição pura, a do meu sensível. Eu quis fazer jogo duro, esperar um tempo, amadurecer esse pingo de luz que se transformara num globo de espelhos respingando brilho por todo lado; eu quis que fosse diferente só por ser, a bem da verdade, nada me desagradou. Só precisávamos fugir dos olhares e beijos endoidados tão convencionais. Tinha que ser diferente do “boca, nuca, mão e a tua mente não”, porque eu queria a tua mente antes da boca. E talvez as mãos. As mãos na nuca. E aí então, por fim, teus lábios.
E antes que apaguemos as luzes eu quero te respirar inteiro, pesar meu corpo sobre o teu e fazer com que tenhamos que ritmar nossa respiração juntos, porque o meu abdômen expandindo brigaria com o teu. Inspiraremos e expiraremos juntos, até faltar o ar.