quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Tempo abafado, daquele antes de chuva. Brisa de Chuva. Começou a chover. Barulho de Chuva. Cheiro de Chuva.


Esqueci o guarda-chuva. Mais uma vez os pingos fortes e fracos, grandes e pequenos escorreriam pelo meu rosto e na minha roupa iriam fixar-se, até eu estar inteirinha coberta deles.
Fiquei um tempo esperando com a esperança que a chuva ficasse menos raivosa.
Notei que enquanto o tempo passava e os céus tremiam eu não pensava em nada, só olhava aquelas infinitas gotas caindo. Fiquei assustada. Há muito eu não me sentia tão tranquila, sem pensar numa fórmula ou numa tarefa atrasada. Talvez fosse o barulho, quase ensurdecedor, que não deixava espaço para outra coisa dentro da minha cabeça.


Ficava mais forte. E eu, na maior cidade brasileira, na cidade que nunca pára, não queria fazer mais nada. A não ser ficar ali. Parada. Sem piscar. Mirando a imensurável quantidade de gotas que corriam em direção ao chão. Uma paz nos meus neurônios. Não queria ter nada em mãos, nem uma saúde a zelar, nem um compromisso em meia hora (tá bom,nem meio compromisso em menos de mil horas!).

Esqueci meus livros, minha saúde e atrasei meu compromisso. Andei na chuva e agora a imensurável quantidade de gotas vinha na minha direção. Não sentia nada, senão elas se chocando contra meu corpo. Não pensava em nada, senão na dor de garganta que aquela chuva gelada causaria naquela noite.









Carolina Clasen ficou com dor de garganta e manchou todos livros mas naquele dia ela entendeu que por vezes mesmo as coisas mais cotidianas, se vistas como estrangeiras, podem te fazer esquecer as coisas mais importantes(geralmente as mais estressantes) .