quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um fracasso, ou um novo caminho.

Há uma semana minhas férias foram decretadas.
Foram as listas. Os aprovados para a segunda fase da Fuvest e da Unicamp foram convocados. Eu não estava entre eles.

Me deu uma tristeza profunda, não infantil do tipo "eu fiz o impossível, Deus injusto, a culpa é do Fulano.." , era um tristeza cansada.

E de repente, bastaram imensas lágrimas. O alívio pairava dentro de mim.
Lembrei de quantas vezes abdiquei de tantas coisas e me vi com os livros em punhos. Lembrei de quantas vezes fiz a minha parte quando o mundo não colaborava para que ela fosse feita. Lembrei da força que eu ganhei a cada escorregão, que estaria no meu coração nesse "tombasso". Lembrei que todas essas lembranças deveriam me lembrar que eu não podia me reduzir aos pontos feitos no vestibular, aliás todo o conhecimento e entendimento(do mundo) não seriam medidos em 90 questões, ou três redações. Parte desse conhecimento está ali nesses questionários, mas o meu amadurecimento não.

Ficaram as coisas mundanas mais esclarecidas, muitas amigas(talvez tão essencias nessa jornada) fortalecidas, muitos meandros superados, muita emoção vivida...


E se há males que veem para bem, que esse seja para um SUPER BEM.





Carolina Clasen, nesses momentos, gosta de acreditar em todo o tipo de "consolo" popular como: "não estava na hora certa", "vc fez a sua parte", "vai ser melhor assim", etc e tal.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Tempo abafado, daquele antes de chuva. Brisa de Chuva. Começou a chover. Barulho de Chuva. Cheiro de Chuva.


Esqueci o guarda-chuva. Mais uma vez os pingos fortes e fracos, grandes e pequenos escorreriam pelo meu rosto e na minha roupa iriam fixar-se, até eu estar inteirinha coberta deles.
Fiquei um tempo esperando com a esperança que a chuva ficasse menos raivosa.
Notei que enquanto o tempo passava e os céus tremiam eu não pensava em nada, só olhava aquelas infinitas gotas caindo. Fiquei assustada. Há muito eu não me sentia tão tranquila, sem pensar numa fórmula ou numa tarefa atrasada. Talvez fosse o barulho, quase ensurdecedor, que não deixava espaço para outra coisa dentro da minha cabeça.


Ficava mais forte. E eu, na maior cidade brasileira, na cidade que nunca pára, não queria fazer mais nada. A não ser ficar ali. Parada. Sem piscar. Mirando a imensurável quantidade de gotas que corriam em direção ao chão. Uma paz nos meus neurônios. Não queria ter nada em mãos, nem uma saúde a zelar, nem um compromisso em meia hora (tá bom,nem meio compromisso em menos de mil horas!).

Esqueci meus livros, minha saúde e atrasei meu compromisso. Andei na chuva e agora a imensurável quantidade de gotas vinha na minha direção. Não sentia nada, senão elas se chocando contra meu corpo. Não pensava em nada, senão na dor de garganta que aquela chuva gelada causaria naquela noite.









Carolina Clasen ficou com dor de garganta e manchou todos livros mas naquele dia ela entendeu que por vezes mesmo as coisas mais cotidianas, se vistas como estrangeiras, podem te fazer esquecer as coisas mais importantes(geralmente as mais estressantes) .

terça-feira, 14 de dezembro de 2010



Cinema, teatro, museus, escolas, repartições públicas....não são mais lugares ocupados apenas por transeuntes, mas por dezenas de equipamentos de monitoramento, que captam cada movimento feito em suas dependências.

A segurança utiliza-se cada vez mais de inovações tecno(i)lógicas para ser mais eficaz contra assaltos, o que acaba interferindo diretamente nos hábitos diários das pessoas.
É incrível como essa violência tão presente no nosso cotidiano, quanto nós nos vídeos de monitoramento, de certa forma “vitima” cada um com a “quebra” da privacidade nos lugares mais improváveis, e é através da busca da segurança convivemos com nossa própria insegurança.


A frequência com que a violência vem ocorrendo e as inovadas ações que o ser humano se utiliza de toda e qualquer forma para garantir a segurança do indivíduo acarretam num, senão outro modo de vida, pelo menos sua alteração. Pois, é a partir do momento em que nota-se uma segurança exacerbada duvida-se do quão seguro estamos, por demonstrar mais “fraquezas” - leia-se: riquezas.



Resolvi falar sobre isso por notar que passo por pelo menos três identificações diariamente... entre cursinho, restaurante e a minha própria casa.
Além disso, foram vinte e sete prédios gradeados contra cinco sem grade – que eu contei hoje na rua, enquanto refletia sobre isso.


Carolina Clasen que é natural de uma cidade onde não existiam cadeados e, nem tantas, grades, e ainda age como uma caipira quando enfrenta catracas, interfones e toda essa parafernália “segura”.