terça-feira, 21 de junho de 2011

JANELA DA ALMA !


"Nós não temos, por exemplo, os olhos como os têm a águia ou o falcão. Nós vivemos dentro de uma possibilidade de ver, que é nossa - que nem vê, supondo que os nosso olhos são normais, nem de menos, nem demais. E para tornar isso claro, eu digo, que se o Romeu[da estória] tivesse os olhos dum falcão, provavelmente, n se apaixonaria por Julieta. Porque os olhos dele veriam uma pele que, provavelmente, n seria agradável de ver; porque a qualidade visual de um falcão, cujos olhos o Romeu teria, não os traria a pele humana, tal como nós a vemos."




José Saramago, em Janela da Alma

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Oiticica, Duchamp e a anti-arte da vida


Marcel Duchamp e o famoso mictório, ou o "ceci n'est pas une pipe", nos fazendo pensar sobre as inúmeras técnicas que, bem feitas ou não, nos impressionam como espectadores há muito. Basta lembrar a perfeição e o quão pensado foi o afresco, por exemplo. Mas e aí? Qual tipo de imaginação é despertada naquele aglomerado de "perfeições"?

Hélio Oiticica vai longe, e além de romper com a noção da "contemplação" da obra, convida-o para "ser a obra", despertando a "contemplação sensorial".

Mas enfim, sobre esses dois renomes da Arte Mundial dá pra saber aí, durante devaneios virtuais. O fato é que depois discussões fantásticas em torno da ideia dos "Parangolés" do Oiticica, fiquei pensando de "PARANGOLERIZAR" a vida, entenderam?
Essa coisa toda de n ficar estática, pensando na vida do outro ou esperando semana que vem, próximo semestre e outros períodos para "O SER". Não sei se "SER" ou "ESTAR"; "ESTAR" é mais presente, é mais agora. É disso que eu gosto.


Era isso, um convite - fundamentado em grandes nomes - à vivência da "antiarte por excelência" !!

domingo, 12 de junho de 2011

sobre não namorar e "SER AMOR"



vai chegando junho e aquela "função 12 de junho"
deixa as solteironas com um pinguinho de inveja das "namorando".



não passei dia do índio com um índio, nem dia da árvore com as árvores... mas fiz desenho de dia do índio durante muitos anos na escola e plantei miliuma e protestei pelas árvores, logo, no dia dos namorados a lógica nao é ter um namorado: é amar e ser amado.

Namoro traz consigo satisfação, o que me irrita tremendamente. O compromisso em si já se torna meio confuso pra mim, mas deixemos isso pra outra hora; o fato é que acordar de manhã com o meu avô dizendo: Feliz dia dos Namorados e uma flor e ganhar chocolate de amiga me deixa muito mais lisonjeada que ter um namorado.
Sabe essa coisa de ser amada? Poisé.


Porém, contudo, todavia e entretanto... todo esse clima de casal feliz me fez pensar sobre o tal "namorando". Dá vontade de se sentir parte de outro, de querer ser a "eternidade" de outra pessoa, de receber surpresinha tosca e todo esse blábláblá que pede um relacionamento. Tive vontade de tudo isso. Mas vai que meu "kit namorando" não vem completo, nesses míseros 18 anos ainda não tive vontade de namorar... só de ser amada!!!!! já recebi proposta de namoro, nunca de viagem pelo mundo, pelos sonhos, tampouco de amor.
Não consigo mais aceitar relações pela metade, sou do mundo. Em outras palavras, não quero amar só um, quero amar o mundo e mostrar o meu mundo. Quero viver em outro mundo. Mais que namoro, o além desse mundo.

Feliz dia do SER AMOR, para os que acham que o namoro é um mosaico de dois mundos, dos dois amantes, não essa vaidade toda de se autoafirmar dizendo: tenho um namorado.

sobre o (des)amor e o motivo




como acontece rápido né?
demora, mas quando acontece parece
rápido demais pra tanto sentimento.






era uma vontade de viver só por ele, que ela n tinha mais a mínima vontade de nada se não recebesse uma ligação, um torpedinho sequer.
Coração acelera rápido, a música só tem graça se coincide com a história de vcs, querer ver, querer tocar, querer estar junto.

Eis que isso vai "gastando", e só será necessário um motivo pra tudo virar nada.
Não sei se "gastar" é a palavra certa. Mas acaba né? tudo acaba. Já estamos todos fartos de saber que vai passar tudo isso um dia, que esssa noção de eternidade é enquanto durar tudo isso, o que é muito legal (acreditar que um sentimento é tão verdadeiro que ele não acabará nunca).





O Motivo apareceu.

Rápido assim. Tudo isso porque já estava tudo preparado para não ser mais amor. Dentro em breve algum motivo apareceria e mostraria que foi tudo lindo, mas já não era mais.





O motivo tem nome, endereço. Fecha os olhos com o olhar fixo no meu, tem um sorriso lindo. Tem ideias incríveis sobre as coisas mundanas. Tem mãos ainda mais macias de afagar, braços mais compridos para abraçar - ah, o abraço do Motivo é o maior amor do mundo. Foi nesse abraço que o amor feneceu, para que renascesse com tantos outros sorrisos, suspiros, etc e tal.



Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim. No abraço de outros braços.

loucura, or not loucura.


Sobre o quão relativo é tudo isso de "ser louco". Cada louco com a sua loucura.

Se eu chego em casa gritando e rindo, enLOUQUEcida, minha avó diz que eu sou louca.
Já acharam loucura minha tomar banho de mar a noite, beber destilados sem parar, dançar freneticamente em público, cantar música brega em lugar cult. Já confundiram minha palhaçada, vontade de viver - e estar viva-, respirar mais fundo a vida, etc. e tal; com loucura.

EnlouCRESCER. EnlouCRESCIMENTO.
vai passando o tempo e a loucura vai mudando. os brinquedos mudam. as noções do quão enorme é esse mundo e pequena é a vida diante de tudo isso, mudam.
é essa a minha loucura, é ir crescendo até ficar do tamanho do mundo.


Alucinação. Piração. Vibração. Permissão.

Erasmo, no Elogio a Loucura, mostrou o quanto se faz necessária essa alucinação, piração, essa permissão dessa outra frequência. Fala da influência que essa loucura deve ter no nosso cotidiando e como pode ficar mais gostosa essa condição de existência que nos foi proposta.
É essa minha loucura, "não pode haver em mim nem maquiagem, nem dissimulação, e jamais se percebe em meu rosto as aparências de um sentimento que n esteja em meu coração"; qual é a sua?