segunda-feira, 21 de março de 2011

Menotti Del Picchia,


“Arlequim – seduzido pela angústia da saudade -
no temor de pedi-lo e na glória de te-lo
no gozo de prová-lo e na dor de perde-lo
no contato desfeito e no rumor já mudo
no prazer que passou... nesse nada que é tudo
O PASSADO, A LEMBRANÇA... A SAUDADE... O DESEJO!

Um jardim, um repuxo, uma mulher, um beijo”


Carolina Clasen adora Menotti del Picchia e quando o lê se estiver apaixonada, o intensifica e se não está, fica.

domingo, 20 de março de 2011

da vontade de ser bailarina



Três anos de idade e a ansiedade de pisar na sala de balé vestindo a sapatilha nº 27, a meia-calça cor-de-rosa sobreposta por mais rosas e rosinhas não me deixava pensar em outra coisa, se não que voltassem e as aulas e com elas começassem a maior novidade da minha vida: minhas aulas de balé iriam começar; toda essa euforia não me deixava parar quieta pensando na primeira “borboletinha”.
Era de manhã e frio. Aquele frio gaúcho, das primeiras manhãs de março... em que o outono quer avisar que tá chegando e fica cutucando o verão com uns 19/20º.
A bolsa cor-de-rosa já estava preparada e o figurino vestido, lembro de não querer comer, coisa de criança.
A mãe me levou como se estivéssemos indo a um Baile na Realeza, contando como ela também tinha dançado quando ainda era criança e dos seus inúmeros figurinos.

A primeira aula passou, passaram meses e a ansiedade ainda era como se fosse o primeiro dia.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente e lá estava eu mais uma vez fazendo um “demi pliê”.
Era chegado novembro e os papéis do espetáculo de final de ano foram distribuídos: eu e minhas amigas eramos flores vermelhas!
Toda a coisa do ensaio-geral começara e eu a cada dia encantava-me mais com a tensão de ficar em silêncio atrás da cotia, o medo da meia rasgar, experimentar mil vezes a roupa ajustando aqui e ali.

Flor Vermelha, Florista em A Bela Adormecida, Pirulito em O Quebra-Nozes, Narizinho em O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Boneca de Lata em O Mágico de Oz, etc e tal.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente e as mil interpretações tiveram o seu gosto, em cada uma delas o “Quebra perna e merda” fazia eu me sentir a maior estrela que saltitava naquele palco.
Fosse como a Professora, a Ana Botafogo, a Nílgia ou a Luana, eu queria ser grande E BAILARINA, exatamente como elas.
Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente, eu tinha vontade de viver daquele jeito pro resto da minha vida, dando “grand jetes”, spacats e mostrando como os meus movimentos se encaixavam perfeitamente nas notas musicais.

Pé de bailarina, pé de pato e pé de gente, e veio o teatro, o handebol...
e surgiu a arquitetura.






Começava outra “vontade de ser”: um lápis 2B, um 4B e um pedaço de papel canson.

sexta-feira, 18 de março de 2011



"(...)É um humanitarismo direto, sem conclusões nem propósitos,
o que me assalta neste momento. Sofro uma ternura
como se um deus visse. Vejo-os a todos através de uma compaixão
de único consciente, os pobres-diabos homens, o pobre-
diabo humanidade. O que está tudo isto a fazer aqui?(...)

Senti-me inquieto já. De repente, o silêncio deixara de
respirar.(...)

Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por
uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da
vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais
— se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não
ser o símbolo de toda a vida.(...)

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam.
Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito.
Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia
lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da
suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente.
Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida
de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.(...)"



Respira-se melhor quando se é rico; é-se mais livre
quando se é célebre; o próprio ter de um título de nobreza é
um pequeno monte. Tudo é artifício, mas o artifício nem
sequer é nosso. Subimos a ele, ou levaram-nos até ele, ou
nascemos na casa do monte.(...)





Coisas diversar do Desassossego, do ilustre Fernando Pessoa.
A professora de psicologia da educação recomendou e eu embora ainda não tenha começado a ler a fundo,passei o olho por vários trechos. Estão aí.

domingo, 6 de março de 2011

sassassaricanndo



Já escureceu. Não sei que horas são mas o sumiço do sol foi bom motivo para pensar que está quase na hora de ir para o baile. Coloquei a roupa confortável, um sapato que dá pra pular bastante e o glitter nos olhos, como de tradição. Algumas horas e a banda estará tocando marchinhas carnavalescas, enquanto todos pulam e distribuem sorrisos no salão. Alegria. Alegria. Não sinto outra coisa. Não consigo sentir outra coisa enquanto ouço marchinhas carnavalescas. Desculpem. Não me peçam pra pensar na guria que chora pelo namorado(se for amiga vale!!). Não sentirei culpa se esqueci de algo ou alguém esta noite. Não queiram, por favor, que eu me sente. Passarei infinitas horas sentadas o ano inteiro: almoçando, jantando, internetando, lendo, estudando... e as horas que terei de passar deitada dormindo? Ah, quantas horas. Corpo exigente, OITO HORAS por dia?? porque não podem ser oito minutos...
É por essas e por outras que essa felicidade que transborda das cuícas no carnaval eu absorvo com todos os meus poros epidérmicos. Todos. Quero ser feliz. Pelo menos agora, enquanto ngm me olha pular e gritar.
Pelo menos agora que todo o mundo sorri, me deixem gargalhar.





Carolina Clasen ficou manca depois do carnaval. Pantorrilhas doloridas. Joelho ralado.

Com espinho ou sem espinho?

Sentada na cadeira de balanço mais confortável do mundo. Pra frente. Pra trás. Pra frente. Pra trás...
olhando direto pro jardim, via a minha vó voltando com quatro rosas recém cortadas nas mãos, e retirando seus espinhos ela as elogiava com certo orgulho, pois eram do seu próprio jardim. Ela sorria tão feliz.

o sol das dez da manhã, que já ia ficando quentinho, batia no meu rosto com certa força. Eu e minha avó tinhamos acabo de tomar café; daqueles longos onde são discutidos os mais diversos assuntos, e com ela é quase sempre assim. Falamos sobre o ingresso na faculdade. Ela ingressou com quase quarenta anos, e ainda tinha o mérito de estar entre as melhores colocações. Tinha filhos, uma família e a vontade de ser professora. Ela queria completar a felicidade, o sonho; não teve medo, conseguiu. E eu exalando medo do futuro, escutava tudo aquilo como uma lição... angustiada, dias antes eu tinha chorado por não ter entrado na faculdade escolhida e agora de alegria por ver meu nome numa lista qualquer. Mas ainda restava a dúvida se eram as artes visuais que eu queria naquele momento. e depois que conclui que era a melhor coisa a fazer, veio o alivio. E depois do alívio encontrei espaço na cabeça pra pensar na vida. Nesse futuro que eu estava com medo. E sentada na cadeira de balanço, pra frente e pra trás, eu pensava se felicidade tinha espinho ou não.

Será que eu conseguiria ser feliz, assim de quebra com sonho realizada e tudo? Ou dá pra ser feliz buscando a felicidade?
Felicidade espinhosa ou não eu seguirei tentando, e se não foi pelo caminho que eu quis eu vou tentar pelo que me escolheu.




Carolina Clasen, por vezes tem medo de tentar ser feliz, ou então de não conseguir o ser. Mas uma certeza ela tem, se felicidade tiver espinhos ela vai pedir a vó Regina que os retire.