
"(...)É um humanitarismo direto, sem conclusões nem propósitos,
o que me assalta neste momento. Sofro uma ternura
como se um deus visse. Vejo-os a todos através de uma compaixão
de único consciente, os pobres-diabos homens, o pobre-
diabo humanidade. O que está tudo isto a fazer aqui?(...)
Senti-me inquieto já. De repente, o silêncio deixara de
respirar.(...)
Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por
uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da
vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais
— se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não
ser o símbolo de toda a vida.(...)
As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam.
Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito.
Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia
lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da
suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente.
Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida
de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.(...)"
Respira-se melhor quando se é rico; é-se mais livre
quando se é célebre; o próprio ter de um título de nobreza é
um pequeno monte. Tudo é artifício, mas o artifício nem
sequer é nosso. Subimos a ele, ou levaram-nos até ele, ou
nascemos na casa do monte.(...)
Coisas diversar do Desassossego, do ilustre Fernando Pessoa.
A professora de psicologia da educação recomendou e eu embora ainda não tenha começado a ler a fundo,passei o olho por vários trechos. Estão aí.