segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Aterrorizando


ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas. Shows pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos- telúricos como bizarros artefatos alienígenas espalhados em Parques Nacionais. Arrombe casas mas, ao invés de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas. Rapte alguém e faça-o feliz. Escolha alguém aleatoriamente e convença-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilômetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaí, ou uma coleção de manuscritos alquímicos. Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, & talvez, como resultado, seja levado a buscar uma forma mais intensa de viver.

Pregue placas comemorativas de latão em locais (públicos ou privados) onde experimentaste uma revelação ou tiveste uma experiência sexual particularmente especial, etc.

Ande nu por aí.

[-Capítulo de "Caos, os Panfletos do Anarquismo Ontológico" (parte um de "Z. A. T."),de Hakim Bey]




Hora dessas eu falava sobre a loucura, ou a não-loucura, e na verdade classificando qualquer tipo de vivência que o fizesse bem como permissão. Porque é só isso que falta para vocês, meus caros: PERMITIR-SE MAIS!
O meu muito obrigada aos que me aterrorizaram e causaram um choque estético - e as vezes interior -, diariamente; 2012 vem aí permitindo que aterrorizemos o mundo com a nossa poesia.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

só pra dizer que eu acredito em Papai Noel


Final de ano, além do imperativo consumista, vem toda essa parafernália de encontro familiar, champagne e ajuntamentos parentais. Afora o estresse que é, até que estejamos todos prontos e enfeitados, como árvores de natal fazendo jus a festividade, esse monte de sorrisos que afloram nessa época é bom.

Seja o Papai Noel um símbolo norte-americano ou não, ele brota uma cambada de coisas boas por aí(desejo, sonho, vontade, saudade, etc e tal).... tem criança, vovó e até mal-humorado que abana pro velhinho vestido com as cores da coca-cola(qualquer coincidência não é pouca bobagem!). E é nisso que eu acredito, no sorriso!

Não me importa nem um pouco se espírito natalino é carregado da hipocrisia do chefe que já não aguenta mais os funcionários, se vem com a saudação da vizinha que passou o ano inteiro falando mal de você, da prima que não lembrou nem do seu aniversário.... mas ele vem, entende? Ainda bem que existe uma época do ano, mais ou menos religiosa, que movimentamos muito além da economia global e vamos para casa da titia ver como as crianças cresceram e aquele primo feio tá até ajeitadinho.

Esperar por barbies bailarinas, celulares modernosos, ou só pelo abraço da meia-noite (que vai proporcionar as pazes com o seu tio, que vc brigou desde o último fim de ano); é por essa magia toda que eu entro no clima mesmo. Consumindo mais alegria do estar(junto), que dinheiro.


Essa coisa de "espírito natalino" ou o avesso, é só mais um jeito de conquistar o consumo, lembrando que você ama a vovó e o perfume preferido dela custa 300,00 reais, mas vê-la sorrindo vale tudo isso! Que o vestido que a mamãe viu na vitrine é muito caro, mas será só uma retribuição de tudo que ela fez por você.
Atentemos ao que queremos sentir, não o que queiram que sintamos. O consumir, ou não, não é o problema.... mas não pode ser reduzido a isso!

Espírito natalino é ver o encantamento com o Papai Noel, a guirlanda o pisca-pisca.
Aguardo, ansiosamente, pela meia-noite.


NA FOTO: Projeto "Seja um Papai Noel", pericpécias da Clasen (com espírito natalino) para se aproximar do encantamento com o velhinho!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Eu vi gnomos, e outras estrelas


Depois de viver sob as nuvens da Paulicéia, do cinza que cobre São Paulo.
Depois de respirar o que se respira em São Paulo.

Estar em Pelotas é mais puro. E na praia, qualquer grão de areia é ainda mais lindo.Hoje notei que Pelotas, mesmo que não seja uma metrópole, esconde muito estrela.Ainda há muito mais para ser visto. Tem nuvem aqui e acolá que apagam uns brilhos, mesmo com a noite limpa.
Eu enxerguei novas luzes estelares hoje, precisei que os gnomos me mostrassem.

Pesquisei mapas, constelações.Lá em cima do telhado, eu e eles[os gnomos]. Mais próximos do próximo plano. O que nos guia, ou o que guiamos - quando saberemos quem está no comando?
Mas, lá em cima do telhado, hesitar sobre quem está comandando parece só mais um questionamento para dentro de mim mesma.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

silêncio lá dentro, Kundera escrevendo.

“Num passado remoto, o homem deve ter ouvido com assombro o som de batidas que vinham do fundo de seu peito, sem conseguir saber o que era aquilo. Não podia identificar-se com um corpo, essa coisa tão estranha e desconhecida. O corpo era uma gaiola, e dentro dela, dissimulada, estava uma coisa qualquer que olhava, escutava, tinha medo, pensava e espantava-se; essa coisa qualquer, essa sobra que subsistia, deduzido o corpo, era a alma.Hoje, é claro, o corpo deixou de ser um mistério; sabemos que o que bate no peito é o coração, que o nariz nada mais é do que a extremidade de um cano que avança para levar oxigênio aos pulmões. O rosto nada mais é que o painel onde terminam todos os mecanismos físicos: a digestão, a visão, a respiração, a audição e a reflexão.Depois que o homem aprendeu a dar nome a todas as partes de seu corpo, este o inquieta menos (…).A dualidade da alma e do corpo estava dissimulada por termos científicos, isso é, hoje, um preconceito fora de moda, que só nos faz rir.Não basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científica, imediatamente se desfaça.”


Trecho de "A insustentável leveza do ser".

Faz silêncio dentro de mim. Tem grito, tem gargalhada. Tem música. Silêncio grita. "Por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior"

Pele permeável, molhou por dentro também

Eu já tinha notado que ia chover. O abafado e os trovões já avisavam o temporal.
Minha vó nunca erra: "Vai chover, leva guarda-chuva!", "Pega um táxi", "Liga para ir te buscar"...........Eu escolhi um chinelo, para não encharcar o sapato. Um blusa larga, para não colar no corpo. Um short para não pesar as pernas. Eu tinha saúde. Decidi tomar banho de chuva antes mesmo dela começar. Chuva já tinha sido terapia há algum tempo, e eu precisava de uma dessa.A amiga deixou os afazeres porque ia chover, eu ainda tinha muito que resolver. Lá vou eu, só esperava ela cair.Já era tempo de voltar pra casa e nada dela, parei para tomar um café e esperar. BRURURUM! Lá vem!!!!!Paguei o café e tomei o caminho de casa. Os primeiros gotejos foram daqueles fortes que machucam a gente, já no início os sentimentos que machucavam apareceram tb. Eu pensava porque eles me atingiam forte desse jeito, em qualquer lugar. Será que eu devia ter usado guarda-chuva? Não, melhor molhar logo.O corpo já estava quase cheio dos pingos, quando ela apertou. Daquelas fortes que não deixam nem escutar as sirenes da rua. Eu não escutava mais ninguém também. Só a mim mesma. Eu me dizia que tinha que seguir em frente, que tinha muito pingo ainda para cair e se a gente corre pra fugir, se molha mais. Caminha, quieta,molhada e escutando as lições que tinha para (me) dar.

Agora muito molhada. Por dentro e por fora tudo era chuva. Chuva da cabeça aos pés, do céu ao chão. Tudo era chuva. Chovia contradição, questionamento e esclarecimento.Acalmava a tempestade e o espírito. Esclarecia então o que passara: era nuvem passageira. Tudo passara para me molhar, me deixar encarar sem guarda-chuva e aprender.A brisa posterior cuidou de me secar e quase chegando em casa o entardecer mostrou uma composição de laranja quase rosa, ou vice-versa.Molhada, com sorriso na cara porque tinha um céu que sorria. Era assim que eu andava nos últimos dias: com ´pingos críticos de todos os lados, mas tinha um céu que se preparava todo dia para mim. E era para, e por, ele que eu sorria.

da série: Cenas Cotidianas / PROTEGIDOS


Os trovões vibravam no céu. As nuvem cuidavam de enegrecer cada pedacinho de azul lá em cima.
A brisa que refrescava o forno primaveril, do quase verão dezembrino, avisava quase suavemente: aí vem a tormenta!

Algumas pessoas corriam, para proteger-se em casa. Quentinhos, aconchegados.
Outros arrastavam seus pedaços de papelão para proteções que iam de áreas residenciais a toldos comerciais.Os carros pareciam estar mais apressados. Os pedestres andavam, impacientemente.

CABRUM!!!! Os guard-chuvas são abertos. Num piscar de olhos eles estão todos protegidos. Menos eu.
Moradores de rua protegendo os cobertores, as loirinhas a chapinha.Moradores das casas fechando as janelas, motoristas de carros repetiam o gesto.Tudo uma proteção, da chuva, do frio. Eu não tinha nada a proteger.Protegiam-se da miséria da calçada, da sujeira que entupia boeiros.
Protegiam-se do desespero alheio, do caos do transporte público dentro do ar condicionado de seus automóveis.

Parece que na chuva as coisas ficam mais evidentes, junto com a água corrente na guia da calçada.
Parece que chuva fica mais exposta a diferença. Eles se protegem com guarda-chuvas de descaso.